Mundo cão

Acabo de ouvir na rádio que um estudo espanhol conclui que as pessoas hoje são bastante mais violentas, na generalidade, do que há uns anos atrás. E o comentarista refere que uma escola búlgara já descobriu e pôs em prática uma forma de os alunos descarregarem todo o seu desejo de violência socando sacos onde está a foto de quem se querem vingar. O mesmo se faz nos Estados Unidos, onde escolas de boxe põem "vítimas humanas" à disposição das pessoas que querem descarregar a sua ira contra maridos ou esposas.

violencia224.jpg (44935 bytes)

Numa reportagem recente da televisão Antena 3, vários adolescentes falavam da moda de, nos liceus espanhóis, se gravarem agressões a colegas. Depois distribuem o resultado entre amigos e divertem-se com o que aconteceu. Mostraram ainda, com orgulho, a colecção de imagens que tiraram da Internet, de acentuada violência, embora muitas vezes fabricadas (decapitações, explosões de cabeças) e que guardam nos telemóveis. E isto passa-se também nos outros países.
Muitos adolescentes e crianças passam horas em videojogos violentos e depois descarregam a agressividade que tomou conta deles em pessoas indefesas. Umas vezes são colegas mais novos ou mais frágeis, outras vezes mendigos e emigrantes já sem forças para se defenderem. Foi o caso de três rapazes – dois de 18 anos e um de 16 – que entraram numa caixa multibanco onde uma mendiga se protegia do frio catalão (5 graus centígrados). Primeiro, bateram-lhe. Saíram e voltaram a entrar com um bidão de um solvente industrial. Regaram-na com o líquido, altamente inflamável (incorpora álcool metílico), pegaram-lhe fogo e fugiram.

Dizia o pai de um destes jovens: «São miúdos modernos, de uma geração muito permissiva, que tiveram tudo. Começam numa brincadeira como num jogo e, quase sem se dar conta, acabam por desencadear esta tragédia. Foi o pior castigo que o meu filho me podia dar».

                                                                                                                                                                                                                M. V. P.