A Semana da Vida e os deficientes

De 18 a 25 de Maio, celebra-se em Portugal a Semana da Vida, este ano dedicada às pessoas com deficiência.

A esse propósito, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma Nota Pastoral de que publicamos os seguintes extractos:

«Nós, Bispos de Portugal (...) estimulados pela caridade pastoral, inspirada na mensagem evangélica, apelamos aos fiéis católicos e a todos os homens e mulheres de boa vontade a que, pelos meios ao seu alcance, se empenhem na prevenção, recuperação e inserção social das pessoas com deficiência, tendo em conta que entre nós as causas da deficiência não têm sido combatidas eficazmente».

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«A dignidade da pessoa humana não resulta das capacidades que possui nem das funções que desempenha. Ela radica na própria natureza humana. Criada por Deus e redimida por Jesus Cristo, que assumiu a mesma natureza, a pessoa humana é dotada de uma dignidade original e única, inviolável e indivisa, que não se baseia na funcionalidade do seu organismo mas na essência da sua natureza».

«A Igreja tem uma longa história de auxílio às pessoas com deficiência. Inspirada no seu divino Fundador, que manifestou uma especial predilecção por toda a espécie de doentes e deficientes a quem acolhia com amor e curava dos seus males, aliou a atitude profética de denúncia das injustiças de que eram vítimas as pessoas com deficiência com a prática da misericórdia em favor das mesmas, promovendo a criação de instituições de educação, de assistência social e de saúde para atender os mais carenciados. Presentemente, na Europa existem mais de trinta mil instituições da Igreja que se dedicam a cuidar dos doentes e de toda a espécie de deficientes. Entre nós, além da Ordem Hospitaleira, que tem a seu cargo mais de metade das camas de psiquiatria, merecem especial referência as Congregações Religiosas e outras instituições particularmente dedicadas a cuidar de crianças, jovens e adultos afectados pelos vários tipos de deficiência».

«Na esteira da Igreja, que ao longo dos tempos afirmou a sua presença neste sector, todos somos hoje chamados a olhar para as pessoas com deficiência e, particularmente, para os excluídos da sociedade, os sem abrigo, os doentes crónicos e incuráveis, carecidos de acolhimento, apoio e reinserção social. Eles constituem um campo aberto ao exercício da nova "fantasia da caridade", por parte dos indivíduos, dos grupos e das instituições eclesiais».