Igreja aposta na vida
| No dia 19 de Outubro, a Assembleia da República deliberou que vai haver mais um referendo em Portugal sobre o aborto, como afinal já estava prometido. E nesse mesmo dia o Cardeal Patriarca pôs a circular um comunicado em que esclarece recentes afirmações suas, segundo as quais a "condenação do aborto não é uma questão religiosa, mas de ética fundamental". O Patriarca de Lisboa sublinha que se trata, "de facto, de um valor universal: o direito à vida, exigência da moral natural". | ![]() |
E continua: "Com esta afirmação não foi minha intenção negar a sua dimensão religiosa. A mensagem bíblica assumiu, como preceito da moral religiosa este valor universal, dando-lhe a densidade do cumprimento da vontade de Deus", acrescentando que «não é só por se ser católico que se é contra o aborto; basta respeitar a vida e este é, em si mesmo, um valor ético universal".
E D. José Policarpo refere que "todos os membros da Igreja e todos os que defendem a vida são chamados a participar nesse debate esclarecedor das consciências".
Por sua vez, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma nota pastoral em que, entre outras coisas, escreve o seguinte:
"Nós, Bispos Católicos, sentimos perplexidade acerca desta situação (o referendar a vida humana). Antes de mais porque acreditamos, como o fez a Igreja desde os primeiros séculos, que a vida humana, com toda a sua dignidade, existe desde o primeiro momento da concepção. Porque consideramos a vida humana um valor absoluto, a defender e a promover em todas as circunstâncias, achamos que ela não é referendável e que nenhuma lei permissiva respeita os valores éticos fundamentais acerca da Vida, o que se aplica também à Lei já aprovada. Uma hipotética vitória do 'não' no próximo referendo não significa a nossa concordância com a Lei vigente.
2. Para os fiéis católicos o aborto provocado é um pecado grave porque é uma violação do 5º Mandamento da Lei de Deus, "não matarás", e é-o mesmo quando legalmente permitido.
Mas este mandamento limita-se a exprimir um valor da lei natural, fundamento de uma ética universal. O aborto não é, pois, uma questão exclusivamente da moral religiosa; ele agride valores universais de respeito pela vida. Para os crentes acresce o facto de, na Sua Lei, Deus ter confirmado que esse valor universal é Sua vontade.
Não podemos, pois, deixar de dizer aos fiéis católicos que devem votar "não" e ajudar a esclarecer outras pessoas sobre a dignidade da vida humana, desde o seu primeiro momento".