Sempre sim à vida!
H
á dias dizia-me uma pessoa com pouco mais de 70 anos, e com problemas clínicos a necessitar de uma intervenção, que já tinha dito ao médico: -- Para o hospital não vou, pois são capazes de lá me matar. E explicou-me: -- Matar as pessoas nos hospitais agora já se pode, pois a televisão já disse que sim.Percebi que a mulher entendeu a aprovação da eutanásia na Holanda como a possibilidade de os médicos matarem os seus doentes. A palavra eutanásia vem do grego e significa boa morte ou morte doce e fácil, o que se fosse bem aplicado poderia ser entendido como uma ajuda a bem morrer, sem sofrimento demasiado. Mas quem é que nos garante que os profissionais de saúde não ponham fim à vida de alguém que os incomoda ou que pela sua idade sejam julgados peso para a família ou para o estado, e que por pressões do ambiente ou perturbação mental eventualmente até o venham a pedir?
Só o facto de se saber que isso é legal, já pode perturbar qualquer pessoa mais sensível. É facilmente previsível que tal aprovação legal conduzisse à perda da necessária confiança nos médicos, por parte dos pacientes, e abrisse o caminho a toda a espécie de abusos e injustiças especialmente em desfavor dos mais débeis.
O controlo da dor, o acompanhamento humano, psicológico e espiritual dos pacientes competem ao médico e restante pessoal de saúde e são tão nobres e essenciais como as intervenções terapêuticas. O "abandono terapêutico", que consiste na negação de tratamentos e dos cuidados que aliviam os sofrimentos é uma prática desumana equivalente à de encontrar um ferido na estrada e não o socorrer.
Nunca como actualmente se verificou uma tamanha desvalorização da vida enquanto direito fundamental de todos e de cada um: assistimos diariamente a episódios que mostram a facilidade com que se mata, voluntária ou involuntariamente. Só nas estradas portuguesas morreram 223 pessoas, nos meses de Janeiro e Fevereiro. E nos Estados Unidos (e não só) uma das causas de mais mortes é o suicídio. E não podemos esquecer as guerras, a fome que mata milhões, a sida que já é a principal causa de morte de pessoas com menos de 50 anos, em muitos países.
Neste contexto de desrespeito pela vida humana, é sempre perigoso fazer uma lei que ponha em causa a vida das pessoas. Ainda que se faça com a melhor das intenções.
A semana da vida, que começa hoje e vai até ao próximo Domingo, tem por fim chamar a atenção de todos para o valor da vida humana.
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