O Papa e o véu de Verónica
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O Papa Bento XVI visitou o santuário do Santo Rosto de Manoppello, onde, segundo a tradição, se encontra o véu com o qual a Verónica teria enxugado o rosto de Cristo. Este ano, está a celebrar-se o quinto centenário da chegada desta imagem aos Abruzos. |
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Embora a história do véu seja bem conhecida, não aparece na Bíblia. De acordo com uma antiga lenda no apócrifo "Actos de Pilatos", uma santa mulher cujo nome era Verónica secou a face de Cristo no caminho para o Calvário. O resultado foi a imagem do Rosto de Cristo sobre o pano.
Pesquisas científicas levadas a cabo recentemente mostram que a imagem no Sudário de Turim e a imagem que aparece no véu em Manoppello são de tamanhos idênticos e passíveis de serem sobrepostos, com a única diferença de que na relíquia de Manoppello a boca e os olhos estão abertos.
Quando o Papa falou, não o fez para declarar ou não a "autenticidade" do véu de Verónica, mas para dizer algo mais importante: reconhecer o rosto de Jesus é vê-lo "nos irmãos e nas vivências do dia-a-dia", com "mãos inocentes e coração puro". Saber ou não se estamos na presença de uma "foto" de Jesus não deve desviar a atenção do peregrino daquilo que é essencial: procurar "uma existência iluminada pelo amor, que vence a indiferença, a dúvida, a mentira e o egoísmo".
Neste encontro "simples e familiar", em que o Papa agradeceu por diversas vezes o acolhimento que a multidão lhe prestou, a mensagem central é que "para ver Deus é preciso conhecer Cristo e deixar-se plasmar pelo seu Espírito, que guia os crentes rumo à verdade". Esse itinerário já foi percorrido, antes de nós, por muitos Santos que "reconheceram e amaram nos irmãos, especialmente os mais pobres e necessitados, o rosto do mesmo Deus que contemplaram, longamente, na oração".
Aos jovens, Bento XVI disse que "todos procuramos o rosto do Senhor e esse é o sentido da minha visita". Desse rosto todos podem "tirar a força do amor e da paz que nos mostra, também, o rumo para a nossa vida".