Bispos querem União Europeia
| A Comissão dos Episcopados da União
Europeia (COMECE) lançou um apelo aos políticos e cidadãos da União, pedindo
"discernimento" sobre a responsabilidade de todos pelo "não" nos
referendos sobre o Tratado Constitucional em França e na Holanda. Esta dupla rejeição
do Tratado, em menos de uma semana, é considerada pelo secretário-geral da COMECE como
"um voto com múltiplos efeitos". D. Noël Treanor rejeita, contudo, que esses
resultados impliquem "a rejeição absoluta do projecto europeu". |
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O secretário-geral da COMECE interroga-se sobre a capacidade real das políticas
comunitárias para responder a essas inquietações e alerta para as consequências
negativas de um "alargamento ilimitado" da UE. "Os temores dos cidadãos
exigem coragem e respostas coerentes por parte dos responsáveis políticos, a nível
nacional e europeu", declara.
"O projecto europeu permanece vital para a promoção da paz, o desenvolvimento
económico e a manutenção da coesão e da integração social, hoje como há 50
anos", acrescenta.
O alargamento da UE a Leste foi considerado, pelos novos Estados-membros, como uma
verdadeira reunificação do Velho Continente, em termos culturais, políticos e
espirituais. Os dois "pulmões" da Europa, como João Paulo II gostava de lhes
chamar, são indispensáveis para um bom funcionamento da União.
Os bispos defendem a aprovação do Tratado, considerando que este "constitui um
avanço significativo" e vai dar origem "a um sentimento de cidadania
europeia", mas o desafio da Europa parece não cativar os seus habitantes.
É que muitos estão contra a ideia de partilha de riqueza e bem-estar com os países mais pobres e querem fechar a imigração para os seus países.