Treino necessário
| No número anterior, eu referia as palavras
do pai de um dos jovens que queimaram uma mendiga na Catalunha: «São miúdos modernos,
de uma geração muito permissiva, que sempre tiveram tudo». É isso mesmo. E assim estes
jovens, mesmo já crescidos, sentem-se incapazes de assumir responsabilidades grandes ou
pequenas e precisam que alguém os oriente. Por outro lado, não sabem viver sem ter tudo
ao seu alcance, não estão preparados para uma vida que exija alguns sacrifícios,
renúncias ou sofrimentos. Em suma: não estão preparados para a vida, pois esta não é feita só de alegrias e prazeres mas também de privações e sofrimentos. Muitos pais, nas melhores das intenções, educam os seus filhos sem estruturação da vontade, da capacidade de decisão e incapazes de assumir o lado duro da vida. |
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No fundo, deixam crescer pessoas muitíssimo vulneráveis de um ponto de vista psicológico e facilmente apanhadas nas teias de todas as solicitações agradáveis, mas, por vezes, altamente corrosivas e humanamente degradantes.
Falar de espírito de sacrifício ou de renúncia de alguns dos seus bens para poder partilhar com os mais pobres; pregar o altruísmo e dedicação aos outros; aconselhar a exercitação da vontade, a educação dos sentimentos, o controlo das emoções... tudo isso será uma linguagem desconhecida e sem qualquer sentido, pois foram educados só a pensar na sua felicidade.
Falar em jejum, em esmola, em oração... só lhes trará náuseas. Isso é totalmente o contrário do que sonham. E, no entanto, é nisso que se encontra o miolo do Evangelho.
Gente educada assim não está preparada para enfrentar a vida, que é como uma rosa cheia de espinhos. Por isso surgem facilmente os desânimos, vêm as depressões, enchem-se os consultórios dos psicólogos e psiquiatras.
As propostas quaresmais vão no sentido de nos preparar para vencer as dificuldades, tal e qual como os treinos preparam os atletas para a vitória.
M. V. P.