A tolerância
O ano de 2001 foi declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como ano do Diálogo entre Civilizações. Vale a pena lembrar uma das justificações dadas pelas próprias Nações Unidas nessa Resolução: "a importância da tolerância nas relações internacionais e o valor significativo do diálogo como meio para se conseguir a compreensão, eliminar as ameaças à paz e fortalecer a interacção e o intercâmbio entre as civilizações".
Os acontecimentos de 11 de Setembro e a consequente retaliação dos Estados Unidos vieram dar realce ao valor do diálogo entre as diversas civilizações. Os chefes das grandes religiões do mundo têm vindo a público dizer que as suas crenças pregam o diálogo e a paz. Mas uma coisa é o que as religiões ensinam e outra a que os crentes praticam.
O diálogo exige tolerância e esta não é fácil. Sem um treino da tolerância ao nível dos que nos são próximos não há tolerância para os que estão longe; sem capacidade de dialogar com os que estão ao nosso lado, não há possibilidade de dialogar com os que estão longe.
Temos visto que os afegãos, apesar de pertencerem a um mesmo país e todos serem muçulmanos, não conseguem viver em paz uns com os outros. Porque a paz exige capacidade de aceitar os outros mesmo que o seu modo de pensar e viver seja diferente. Afinal o problema não está nas religiões nem nas diferenças de civilização. Ele está dentro das próprias pessoas.
Vemos isto mesmo nas nossas terras: há pessoas que se recusam simplesmente a dialogar com as pessoas que pensam diferente, que gostam de partidos ou clubes diferentes, que organizam a sua vida de maneira diversa.
Claro que uma coisa é tolerar a diferença, outra é aceitarmos cobardemente que alguém use do argumento da tolerância para nos manietar diante das violações gravíssimas dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana. O respeito dos direitos do homem sobrepõe–se a qualquer tolerância. O respeito pela vida humane é inalienável.
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