Ao Calor da fogueira
O Tio Ambrósio fartou-se de receber visitas esta semana!
Quem é que te disse uma coisa dessas?
Ninguém, Tio Ambrósio! Eu próprio indiquei o caminho a um Senhor muito simpático que me perguntou, ali em baixo, onde é que vossemecê morava. Olhe que eu até pensei, pelos modos como ele falava, que viesse para o convidar a ir a Lisboa receber alguma condecoração das mãos do então ainda Presidente Jorge Sampaio.
Tu lembras-te de cada uma, Carlos!
E olhe que era bem merecida, Tio Ambrósio! Eu não sei quantos galardões é que o nosso então Presidente distribuiu nas três últimas semanas do seu mandato. Mas tenho a certeza que foram umas largas dezenas.
A gratidão fica bem a toda a gente, Carlos! E se queres saber a minha opinião, eu acho que fez muito bem em dar uma prova de estima aos que de mais perto colaboraram com ele durante uma década, com grande empenho e dedicação.
Eu não sou contra isso, Tio Ambrósio! Mas penso que não é justo vossemecê ficar sempre no rol do esquecimento.
Deixa-te de maluqueiras, Carlos! Há coisas que a gente não diz nem a brincar.
Aí é que bate o ponto, Tio Ambrósio! Isto não é nenhuma maluqueira e eu não estou a brincar. Eu e muitos outros como eu, de quem agora não digo os nomes, aplaudiríamos com ambas as mãos a decisão de lhe ser concedida, a si Tio Ambrósio, uma condecoração pelos muitos serviços que tem prestado a sucessivas gerações de leitores do "Amigo do Povo".
E tu a dar-lhe!
O que é justo é justo, Tio Ambrósio!
Isso não, Carlos! Mas se não era justo no meu caso, que sou um simples habitante do Cabeço, que me distingo de todos os outros só pelo facto de ter uns janeiros a mais, era justíssimo no caso de muitos outros. Olha! A quem ficava bem uma comenda dessas era ao senhor cónego Adriano que agora passa a pasta da administração dos jornais diocesanos, lugar que desempenhou por mais de trinta anos.
Uma não tira a outra, tio Ambrósio! De resto, concordo inteiramente consigo em relação a um gesto visível de gratidão para com o senhor cónego de Chão de Couce, que é um dos mais esforçados varões que eu conheço. Se olharmos para trás e fizermos uma avaliação séria do trabalho desenvolvido na comunicação social diocesana, veremos que muito se deve à dedicação, ao interesse e ao esforço desse ilustre capitular.
Tens razão, Carlos! O senhor cónego Adriano tem, entre outras virtudes, a de acreditar no papel importante dos meios de comunicação na evangelização. Há mais de cinquenta anos que ele está ligado à imprensa, tendo fundado vários jornais nas paróquias por onde passou, e dirigindo, com sobriedade e segurança, o nosso "Amigo do Povo" durante algumas décadas.
O Liberato, que o conhece bem, diz que o senhor cónego Adriano sempre foi um apaixonado pela comunicação.
Ora aí está uma boa definição para a carreira brilhante de sua reverência. Se alguma palavra define bem o seu empenho, a sua persistência e o seu amor à imprensa diocesana é essa da paixão. Só alguém verdadeiramente apaixonado é que consegue ultrapassar tantos obstáculos, resolver tantos problemas, ouvir tantas críticas e seguir em frente, porque o caminho é sempre para diante. Só alguém verdadeiramente apaixonado é que não desiste perante os muitos entraves que vão aparecendo ao longo de tantos anos de serviço.
O Tio Ambrósio diz essas coisas porque conhece bem o senhor cónego Adriano...
Posso dizer que somos amigos há uma data de tempo, Carlos! Eu já nem sei onde é que nos encontrámos pela primeira vez, mas sei que foi há muito, muito tempo! E depois eu habituei-me a ler, todas as semanas, no "Amigo" os seus "Retalhos da Vida"...
Eu também não perdia a leitura desses retalhos, que se
baseavam habitualmente num caso concreto, numa
pequena conversa, num encontro com alguém...
É aquilo a que se pode chamar um jornalismo positivo, Carlos! Em vez de andar praí a zurzir no lombo deste e daquele, porque não fazem, porque não dizem, porque ralham, porque deixam... o senhor cónego optava quase sempre por nos fazer entender, a mim e aos outros seus leitores...
Eu incluído!
Optava por nos fazer entender que a vida de todos nós ganha sentido a partir das pequenas coisas, dos pequenos encontros, dos sorrisos.
Con tudo isso, quer o Tio Ambrósio dizer que o senhor cónego Adriano é merecedor de uma comenda, de uma condecoração ou de qualquer outra forma de se lhe demonstrar apreço pelo muito que ele deu à Igreja diocesana em diversos campos, nomeadamente neste dos meios de comunicação.
É isso tudo, Carlos! Sem tirar nem pôr!