Testemunhos vivos

Duro foi não poder vir...

Não há dúvida que o nosso tempo tem coisas que nos obrigam a pensar. É o caso das peregrinações a pé a Fátima. Por ocasião de feriados próximos do Domingo ou com o propósito de estarem no Santuário nos dias 12 e 13 de cada mês, sucedem-se os grupos de caminhantes. Formados na sua maioria por gente nova, demandam a Cova da Iria, arrostando com dificuldades e privações. Dormem quase sempre em chão duro, ao fim de um dia de caminhada debaixo de chuva ou sol. Muitos aproveitam o princípio ou o fim de cada dia para participarem numa eucaristia ou oração comum.

Tive ocasião de falar com alguns destes muitos peregrinos que passam e descansam na vila de Ansião.

São poucos os que fazem a peregrinação para pagamento de promessas. Move-os sobretudo o gosto de caminhar em grupo, o convívio, o apelo de chegar ao Santuário.

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Comecei a ir nesta peregrinação já há nove anos, quando acabei o curso. Agora tiro sempre férias os dias que forem necessários para não deixar de vir todos os anos.

Mas é por promessa?

Não se trata de promessa. Gosto de vir. São quase oito dias a andar. Mas depois desta caminhada sinto-me renovado por dentro e por fora.

Então mas não é duro andar tantos dias, a dormir em saco-cama, a alimentar-se mal, a apanhar sol ou chuva?!

Duro é! Mas estar doente é pior e N.ª S.ª ajuda.

Disse-me que antes de se integrar nesta peregrinação, a religião tinha pouco sentido para ele, mas através dela aprendeu a rezar e a respeitar os outros.

Um outro colega disse que há várias pessoas no grupo de quase cem que não iam à Missa e agora vão.

Uma senhora dos seus sessenta anos, que já veio a pé a Fátima mais de vinte vezes, diz que ir a Fátima a rejuvenesce por dentro. Que até a vida ganha mais sentido.

                                                                                                                                                       M. V. P.