Testemunhos vivos
A propósito da guerra
Francisco Xavier tinha vindo para Paris, para a célebre Universidade de Sorbonne. Queria estudar Direito e um dia vir vingar a sua família que tinha visto ser destruída pela fúria guerreira do rei de Espanha. Por isso passava o tempo agarrado aos livros, sem tempo para se divertir, apenas pensava no modo de se vingar dos seus inimigos. O ódio comandava a sua vida. Mas um dia entra-lhe no quarto um seu compatriota, também ele vítima da guerra. Era Inácio de Loyola. Uma bala de canhão havia-lhe dado cabo duma perna e, no hospital, tinha feito o propósito de deixar a guerra e se dedicar totalmente a Cristo. Estudava na Sorbonne para um dia ser formador de missionários e evangelizadores. A amizade foi aumentando entre eles, até que Inácio lhe perguntou um dia: |
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Francisco, que sonhas tu fazer quando tirares o curso?
Serei professor nesta Universidade. Tornar-me-ei famoso e toda a Espanha ouvirá falar de mim.
E depois?
Casarei. Voltarei para a minha terra. Serei rico e invejado até pelo rei de Espanha.
E depois?
Pela cabeça de Francisco passou como num filme tudo o que de bom lhe iria acontecer e à sua família. E foi-o dizendo abertamente ao companheiro. Mas este insistia:
E depois? Que te vale tudo isso?! Achas que não vais morrer, tu, eu e todos? "Que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a condenar-se?" lembrou-lhe Inácio.
Vinte e quatro anos depois, no dia 3 de Dezembro de 1552, subia ao céu a alma daquele estudante da Sorbonne, que, convertido por Inácio de Loyola, resolveu dedicar toda a sua vida à conversão dos infiéis.
Lembrei-me deste episódio, ao ouvir o Papa proclamar: "a vingança e o ódio não constróem; a guerra só gera destruição". E celebramos esta semana Aquele que preferiu ser morto a matar. Jesus disse a Pedro que para O defender tinha cortado uma orelha a um dos que vinham para O prender: "Pedro, põe a espada na bainha; pois quem usa a espada para matar, à espada será morto."
M. V. P.