Testemunhos vivos

A coragem e a alegria da Ana Isabel

Há poucos dias, faleceu em Ansião uma menina deficiente de 16 anos. Apesar da sua incapacidade física congénita quis frequentar a escola e catequese e estava este ano para receber o crisma. Os colegas no dia do seu funeral estiveram presentes e testemunharam com emoção a coragem e a alegria de viver da Ana Isabel. Os pais e a irmã não conseguiam esconder, apesar da sua fé, um sentimento de amargura por perderem um ente querido que lhes tinha dado muitas preocupações mas a quem queriam de verdade.

Lembrei-me de referir este caso porque tenho diante dos meus olhos um artigo de Maria Fernanda Barroca que refere diversos testemunhos acerca de pessoas deficientes. O que mais me tocou foi o daquele casal que ao perder um filho mongólico, e apesar de ter já vários filhos, achou por bem adoptar uma criança mongólica, porque entenderam que a morte de seu filho tinha sido uma perda para aquela família. Ele era factor de coesão e ensinava os irmãos a serem tolerantes e generosos.

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E conta que, no livro "Esses meninos especiais – a resposta do amor", Jean Toulat transcreve o testemunho de um médico que assistiu ao parto de Adofo Hitler e de uma menina mongólica:

"Em 20 de Abril de 1889 o meu pai recebeu um pedido nocturno para assistir a dois partos em Braunau (Áustria). Nasceu um rapazinho bonito que chorava com força e uma menina mongólica. Meu pai seguiu de perto o destino daquelas criaturas. O rapaz fez uma carreira extraordinariamente brilhante; a menina viveu uma existência sombria. Contudo, quando a mãe sofreu uma hemiplegia, a menina, cujo coeficiente intelectual era muito medíocre, dedicou-se a ajudar a mãe e a tratar da casa, com o auxílio dos vizinhos, dando a sua mãe inválida, quatro anos de vida feliz. O rapaz, bonito e inteligente, ficou na história como um criminoso que levou o mundo a uma guerra que fez milhões de mortos".

A Ana Isabel deixou-nos o testemunho de que o valor duma pessoa não está na sua perfeição física mas nas suas qualidades humanas. Oxalá nunca o esqueçamos.

M. V. P.