Sonhos que vão mudando

Estamos em Novembro, mês tradicionalmente dedicado aos que já morreram. É ocasião de pensar nos que nos precederam e de meditar nos novíssimos, isto é, no que nos vai acontecer depois da morte.<O:P</O:P

Ninguém sabe o tempo que lhe resta cá na terra e há, pois, que aproveitá-lo da melhor maneira.

Joaquim Gonçalves, padre da Consolata, deixou em "Fátima Missionária" o seu testemunho que resumo.

Em Portugal de 1998 a 1999, sonhava voltar às missões do Brasil. E eis que chega o dia aprazado.

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O superior do Brasil propôs-lhe um novo trabalho: a animação missionária e o acompanhamento dos candidatos à missão, na diocese da Feira de Santana, Baía, onde já antes tinha trabalhado.

– O bispo viu a minha chegada como uma luva que se ajustava perfeitamente à mão. E o trabalho com o bispo, o clero, as assembleias diocesanas era pão com queijo para os meus sonhos de animação missionária, escreve o missionário.

De repente chegou o que ele nunca tinha imaginado. Por causa de uma hemorragia foi submetido a exames médicos. Havia cancro em estado avançado com grande pro­babilidade de ficar com a colosto­mia. Aquela notícia foi como um terramoto.<O:P</O:P

– Afinal aquilo que parecia ter sido uma desgraça tornou-se na oportunidade de um longo re­tiro, de terapia, de oração, de es­vaziamento de mim mesmo, de muita solidariedade. Nunca me vi rodeado de tanta solidariedade es­piritual. De vez em quando, Deus surpreende-nos com oportunida­des de descobrir outros lados da vida.<O:P</O:P

E o P. Gonçalves hoje vê a vida com novos olhos. Não deixa de sonhar com um mundo com mais justiça e fraternidade. Mas sabe por experiência própria que cá em baixo tudo é precário. Esperam-nos novos Céus e nova Terra.