Que faz correr o Papa?
Que foi fazer o Papa ao Azerbaijão, onde há menos de cento e cinquenta católicos? Ainda por cima velho e doente!...
Quem vir as coisas apenas pela eficácia humana, há-de dizer que é tempo e dinheiro perdidos.
Mas o único pároco católico do país, Jozef Daniel Pravda, um salesiano eslovaco, de 54 anos, responsável da Missão em Bakú, diz: «se olharmos as coisas com os olhos da fé, esta visita representa um dos pontos altos da actividade missionária do Sumo Pontífice. Não vai só onde dominam os grandes números (como o Brasil, Estados Unidos, etc.), onde há milhões de fiéis - esclarece. Vai também onde os católicos são só poucas dezenas para reforçar a sua fé, para testemunhar ao mundo que nenhum lugar é estranho à lógica da graça divina».
Que faz correr o Papa? O conseguir aumentar o número de fiéis nos países muçulmanos, como é o caso? João Paulo II bem sabe que isso para já é secundário, até porque nesses países não podem as religiões diferentes da muçulmana fazer propaganda ou proselitismo.
O que está no pensamento do Papa é contribuir para a pacificação de conflitos entre países, neste caso a guerra com a Arménia, visitada no ano passado pelo chefe da igreja católica, viagem criticada pelos governantes do Azerbaijão e que agora receberam de braços abertos João Paulo II. Por outro lado, abrir caminho de compreensão entre povos de religiões diferentes.
A um chefe de estado talvez não interessassem estas coisas, mas o sucessor de Pedro sabe que Deus quer a salvação de todos e não apenas dos seus católicos.
Se olharmos para os gestos do Papa, percebemos por que corre mesmo sem poder:
O exemplo deste homem pode e deve contribuir para a harmonia entre povos e religiões. É esse um dos testemunhos que nos vai deixar.
M. V. P.