Testemunhos vivos

O Pai dos leprosos

Pedro tinha quinze anos e vivia em África. Gostava de estudar. Mas o seu sonho desfez-se, quando soube que estava doente de lepra.

Um dia, Pedro encontrou ao seu lado um homem pequeno, sorridente, com um grande laço no pescoço.

"Chamo-me Raul Foullereau" disse-lhe. " Estou aqui para te ajudar".

O menino mantinha a cabeça baixa. Parecia cheio de medo. Há muito tempo que não falava para ninguém. Raul Foullereau acariciou-o com ternura.

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"Sou teu amigo" insistiu. "Conseguirei curar-te. Poderás voltar para junto dos teus companheiros".

Foi durante uma viagem que teve de fazer a África que lhe surgiu a ideia de se consagrar inteiramente aos leprosos. O contacto com estes doentes rejeitados pela sociedade impressionou-o vivamente

Estávamos no ano de 1936. Tinha o médico Raul Foullereau então 33 anos. Não foi fácil começar, pois surgiu logo a guerra e ele, porque era de descendência judaica, teve de se esconder num convento de religiosas, em Lyon França, onde fazia de jardineiro. Nessa altura acalentou o sonho das Irmãs Missionárias: construir uma aldeia para os leprosos na Costa do Marfim. Só faltava o dinheiro.

Ele disse então às religiosas: "Avancem com o projecto, que no dinheiro penso eu".

Decidiu percorrer todo o mundo a fazer conferências, sensibilizando as pessoas para o problema dos leprosos. E o sonho das religiosas tornou-se realidade. Em 1953 era inaugurada em Adzopé a cidade onde os leprosos poderiam ser tratados e curados.

É evidente que queria mais. Agora precisava de visitar os leprosos e levar-Ihes a a sua amizade. Queria também encontrar-se com os missionários que cuidam deles, para lhes levar uma palavra de admiração e solidariedade.

Para isso, deu três voltas ao mundo. Não ia apenas aos leprosários, mas procurava esses marginalizados em cemitérios abandonados, miseráveis cabanas, campos rodeados de arame farpado...

Beijou milhares de rostos, apertou dezenas de mãos, algumas já sem dedos. Escreveu aos poderosos da Terra, à ONU, aos senhores da França. Disse-lhes:

"Dai-me o dinheiro gasto num dia para manter os vossos exércitos. É o suficiente para curar todos os leprosos do mundo".

Nem sequer lhe responderam.

 


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