Testemunhos vivos

Testemunho de coragem

Lidar com a doença e a morte não é coisa fácil. E muito menos quando se trata de uma pessoa a que nos afeiçoámos fortemente. É o caso de casais e de pais para com os filhos.

Muitas vezes as pessoas deixam-se derrotar por estas situações. E isso é o pior que pode acontecer. Por isso, achei ter interesse para os leitores o caso referido por um capelão de hospital. Aqui fica pois o texto com que ele no-lo conta:

«Encontrámo-nos à saída.
Tinha ido ao bazar comprar qualquer coisa para o filho.
Mulher forte. Em todos os aspectos. Nota-se que é bastante sofrida.
Perdeu o marido há 4 anos. Só passados 18 anos de casamento é que teve um filho: único; teve de sofrer muito para o ter.
Há ano e meio declarou-se nele uma doença grave.
"Amanhã, o meu filho tem alta. Não sei o que me vai esperar. Medicamente, já me disseram que não há mais nada a fazer. Estou 'desenganada'. Vamos para casa e, a única coisa que espero, é um milagre. Se dizem que há milagres, porque é que também não me há-de calhar um a mim e ao meu filho? Mas se o meu filho morrer, ao menos posso dizer que fui feliz dirante 18 anos, que é a idade que ele tem. Foi um dom de Deus. Se ele morrer, garanto-lhe que não vou ficar em casa, sozinha. Vou dedicar o resto da minha vida ao voluntariado; quero continuar a ser útil a alguém. Não quero ficar em casa a olhar para as paredes..."
Olhámo-nos; olhos nos olhos; ambos rasos de lágrimas.
Só me restou fazer-lhe carícias no rosto e dizer-lhe: "Gosto muito de si!".
Despedimo-nos "até amanhã" com 2 beijos.»