Testemunhos vivos

O difícil caminho da paz

Foi no Domingo a seguir ao início dos bombardeamentos dos Estados Unidos ao Afeganistão. Duas crianças dos seus 10, 11 anos vieram ter comigo para eu rezar na Missa pela paz. Disse-lhes que o iria fazer, mas que elas não se esquecessem de o fazer também e todos os dias. Falei nisso na Eucaristia e pedi a todos que não se esquecessem de rezar para que os homens se abram ao diálogo e reconciliação. E disse que todas as orações após o Pai Nosso da Missa e antes da Comunhão pedem a Deus que nos dê a paz. Porque a igreja sabe que a paz é necessária, mas difícil de alcançar.

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Acrescentei que facilmente estamos de acordo em que os Estados Unidos bombardeiem o Afeganistão para apanhar os terroristas, porque ficam lá longe, desconhecemos que há lá milhões de pessoas sem culpa, que nada têm a ver com os terroristas, antes são suas vítimas. Se lá estivesse um nosso familiar ou amigo, logo nos púnhamos contra esses ataques que matam culpados e inocentes.

No fim da Missa alguém veio ter comigo para me dizer que tinha gostado de me ouvir. Ele próprio já tinha dado um exemplo a pessoas que achavam que os americanos tinham o direito de fazer aquilo: – "Acham que o governo tem o direito de bombardear Coimbra, só porque uns terroristas fizeram um grande atentado em Lisboa e têm familiares e amigos naquela cidade do centro do país e podem lá estar os mandantes e outros terroristas?"

Toda a gente, pelo menos a que lá vive, acha que não.

"Que fazer então?" – perguntará o leitor.

Porque nem sempre é fácil descobrir o melhor caminho, há que pedir luz e ajuda a Deus.

Têm razão as crianças que me pediram para rezar pela paz. Ela é impossível de alcançar sem a ajuda de Deus.

M. V. P.


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