Testemunhos vivos

Aprender com os outros

Diz o povo que "quando não há pão, todos ralham e ninguém tem razão". Isto mesmo se pode aplicar ao que se passa no nosso ensino. As coisas estão a correr mal: gasta-se muito e os resultados são maus; muitos alunos não chegam a tirar a escolaridade obrigatória e muito menos o 12.º ano e 3 em cada 10 dos que chegam às escolas politécnicas ou à Universidade não conseguem tirar os cursos.

Depois há a indiscilpina e a violência que parecem estar para ficar. E as recentes acusações aos professores por parte da actual ministra da educação são a prova de que as coisas correm mesmo mal.Talvez valesse a pena seguir o exemplo da Inglaterra e da Alemanha, que como se sabe são os países mais influentes da Europa.

O governo inglês levou ao Parlamento uma proposta de lei que foi aprovada, no sentido de confiar a instituições particulares (associações de pais, associações educativas, instituições religiosas, grupos organizados de professores e educadores...) as escolas estatais. A medida baseia-se na convicção de que as escolas particulares ou cooperativas, no conjunto do país, funcionam melhor e com melhores resultados que as oficiais. Certamente que haverá regras e exigências concretas para estas novas escolas.

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Por sua vez, o governo alemão de Angela Merkel, ao apreciar a perda de valores éticos e morais da gente nova e a incapacidade de esta geração ser educada e enriquecida com valores indispensáveis à vida pessoal e em comunidade pelas escolas do Estado, propõe uma "Aliança para a Educação", com a participação da Igreja Católica e da Igreja Evangélica, dado que estas são as grandes confissões religiosas do país. O argumento é claro: como dificilmente se podem adquirir valores consistentes na educação à margem dos valores religiosos, e se estes no país são, predominantemente, os valores do Cristianismo, serão estas instituições que melhor poderão colaborar num processo educativo com futuro.

Pode ser que estes dois exemplos provindos dos países mais evoluídos da Europa motivem os nossos governantes e outros agentes da educação a reflectir um pouco nas causas que estão por detrás do insucesso do nosso sistema educativo. Ou será que entre nós a violência, a indisciplina e o insucesso escolares não terão a ver também com a falta de valores que a escola não consegue transmitir? Não será tempo de as famílias e as instituições religiosas serem chamadas a darem o seu contributo?

                                                                                                                                                                                                      M. V. P.