Sem saber, ajudam a ler
A Dona Maria não vai poder ler este meu testemunho mas pode ser que alguém lho leia. É que a referida senhora não sabe ler. Mas vejo-a volta e meia a distribuir publicações e jornais por pessoas. Até mesmo dentro da igreja.
O não saber ler para ela não é motivo para se pôr de lado na tarefa de ajudar a "boa imprensa". Quem dera que houvesse muitas pessoas activas como ela, capazes de ultrapassar as suas próprias limitações. Infelizmente vemos muitas vezes que quem mais tem menos dá. E isto até no que diz respeito aos bens espirituais.
Lembrei-me desta Senhora ao ler o seguinte texto da Sonhadora, no respectivo blogue:
«Não era a primeira vez que acontecia: a missa acabava, toda a gente se precipitava para a pequenina mesa à saída da igreja para conseguir a folha paroquial, uma pequena folha com uma reflexão sobre a mensagem abordada e informações sobre horários das missas e outros assuntos da paróquia.
A D.ª São, que estivera ao meu lado durante a missa, foi das primeiras a chegar às preciosas folhas e tirou logo umas quantas, que começou a distribuir pelas pessoas que iam passando. Quando chegou a minha vez já não havia folhas na mesa, mas a D.ª São ofereceu-me prontamente a última que tinha.
"Deixe lá, não é preciso", disse eu, "fique você com ela, diga-me só quando é a próxima missa."
"Tome lá, menina!", dizia ela, metendo a folha no bolso do meu casaco, falando muito baixinho ao meu ouvido, "sabe, eu não sei ler... por isso dou a folha aos outros, a mim não me serve de nada."
Agradeci, informei-a da hora da próxima missa e fiquei a pensar na D.ª São, tão solícita a distribuir as folhas e sem poder ler nenhuma. Parecia que aquela era a forma de ela dizer "levem, leiam, dêem graças a Deus que podem ler! Façam isso por mim!".
Ela podia sentir-se de alguma forma inferior aos outros por não saber ler e simplesmente sair da igreja sem tocar nas folhas. Mas era a primeira a chegar e a distribuí-las. Sentia-se feliz por os outros poderem ler, já que ela não podia. E isso fez-me pensar.
E todos os domingos lá está a D.ª São, a distribuir as folhas para todos aqueles que, graças a Deus, sabem ler o que lá está. E todos os domingos sai da missa com um sorriso nos lábios, com o sentimento de dever cumprido!»
M. V. P.