Testemunhos vivos

A fé dos famosos

Directores de cinema, escritores e prémios Nobel aceitaram falar publicamente num livro sobre as suas convicções sobre Deus e a fé.
O volume, que acaba de ser publicado na Itália com o título «Crês? Conversas sobre Deus e a religião», foi escrito por António Monda, professor de direcção de cinema na Universidade de Nova York, crítico de cinema e organizador do festival de eventos cinematográficos para o Moma (Museu de Arte Moderna) e Museu Guggenheim.
Tendo em conta que qualquer opção existencial, artística ou política deriva directamente e de modo imprescindível da resposta que se dá à «grande pergunta», Monda pediu a seus interlocutores que respondessem com toda honestidade se consideram que Deus existe e qual é sua consequente opção de vida.
Nestas conversas, os entrevistados revelaram enfoques muito diferentes, que vão do colóquio quotidiano com Deus, passando pela perplexidade com respeito à sua existência real, até à convicção de sua total ausência.

Monda reconhece que «nenhuma resposta lhe pareceu banal. Interessantes e inesperadas são as reflexões de Saul Bellow, Nathan Englander, Elie Wiesel, Martin Scorsese e Grace Paley, uma judia que se diz ateia mas que enfrentou com grande paixão o tema e que, enquanto fazíamos o livro, começou a interrogar-me, com curiosidade, pela fé. Contou-me também que participa e admira o Catholic Worker Movement (Movimento de Trabalhadores Católicos)».

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«O escritor judeu Nathan Englander – segue revelando o autor do livro – disse-me que beija a Bíblia cada vez que a vê, que vive sua dedicação a escrever quase como uma religião e que, a seu juízo, quem quer que tenha escrito a Bíblia é Deus. Acrescenta que entre judeus e cristãos há uma espécie de íntima coligação, e quando é questionado sobre se existe a vida após a morte responde: "Inclinar-me-ia a pensar que não, mas se me perguntas onde está meu avô, sei que está no Paraíso"».
O autor conta também que «o escritor Saul Bellow diz crer que não quer desgostar a Deus. Por isso, confessa que reza, mas que considera a oração como uma acção de graças pela existência».
As respostas mais sólidas, segundo o entrevistador, foram dadas pelo prémio Nobel Elie Wiesel, que, como crente judeu, afirma que «a ausência programada de um Deus, ou pelo menos a ilusão de combater sua presença, leva sistematicamente ao horror».
«Neste sentido – diz Monda – Wiesel assegura que "os horrores do século passado foram perpetrados por uma ditadura pagã como o nazismo, ou ateia como o comunismo"».