Testemunhos vivos
A caridade de D. Frei Bartolomeu
| No dia 4 de Novembro será beatificado o
antigo Arcebispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires. Inspirados na revista Cruzada,
apresentamos alguns factos que provam a sua caridade em grau heróico. Era costume os Arcebispos de Braga oferecerem aos Reis de Portugal as primeiras lampreias que aparecessem no princípio de cada ano. Indagou Dom Frei Bartolomeu qual o preço das lampreias e a importância que se deveria pagar ao portador que as levasse a Lisboa. Feita a soma das duas |
quantias, mandou distribuí-la pelos pobres.E a rainha Dona Catarina ficou feliz por ter escolhido para Braga tão santo homem.
No inverno uma pobre mulherzinha veio pedir-lhe roupa, pois não tinha com que se defender do frio. Reconhecendo o Arcebispo que não possuía mais com que a socorrer, arrastou até à porta do quarto uma arca, à qual subiu. Desprendeu um grande reposteiro de pano azul, dobrou-o e entregou-o à pobre recomendando-lhe que fosse embora depressa.
Frei João de Leiria, seu secretário, mandou substituir o cortinado, mas não tardou que também este tivesse o mesmo destino: acudir a uma necessidade. Assim o Paço dos Arcebispos e Senhores de Braga ficou desprovido dos cortinados e outros ornamentos de luxo.
Certa vez veio ao seu encontro uma pobre viúva, pedindo ajuda para o casamento de uma filha sua. Como D. Frei Bartolomeu não dispunha então de dinheiro algum, mandou-a vir à noitinha, para levar o que ele encontrasse. A mulherzinha compareceu e ele, com as maiores cautelas enfaixou o colchão com toda a roupa de cama, e fez descer o fardo pela janela até à pedinte. Esta «deu à língua», contando por toda a parte tão grande acto de caridade.
A sua caridade ultrapassava todos os limites. Na epidemia e fome de 1574, os pobres acudiam de todas as partes como um rio para o mar. Era tamanho o número que enchiam praças e ruas. Chegaram a acumular-se à porta do Paço Episcopal de Braga três mil famintos. O santo Arcebispo vendeu tudo quanto era supérfluo, para valer aos necessitados. O rei de Castela mandou-lhe também uma generosa oferta para a sua carestia.
A fama da sua virtude, o seu espírito de penitência e oração e até os prodígios que realizava conquistaram-lhe o título de «Arcebispo Santo».
Mais um português nos altares
Em 4 de Novembro próximo, vai ser beatificado o antigo bispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires.
Aqui deixamos alguns dados biográficos:
Em Maio de 1514, no reinado de Dom Manuel I, nasceu em Lisboa, como Santo António e São João de Brito, um menino a quem puseram o nome de Bartolomeu. Acrescentaram-lhe o apelido «dos Mártires», quando professou, por ser nascido e baptizado na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires.
Aos 14 anos de idade entrou na Ordem de São Domingos, onde sempre se distinguiu pela piedade, mortificação e ciência.
Em 1557, perante o capítulo Geral da sua Ordem, reunido em Salamanca, Espanha, doutorou-se com brilho em Teologia. Ensinou essa disciplina e Filosofia em Évora, Lisboa e, sobretudo, no Mosteiro da Batalha. O Rei D. João I confiou este mosteiro aos religiosos de São Domingos, por pertencer a essa Ordem o seu confessor.
Em 1558, pela morte de Dom Baltasar Limpo, ficou vaga a Arquidiocese de Braga. Foi proposto Frei Luís de Granada, então Superior da sua Ordem, que não aceitou e indicou o seu confrade Bartolomeu. A custo este aceitou. Participou no Concílio de Trento, onde teve papel importante. A 23 de Fevereiro de 1582, após 22 anos de governo da diocese de Braga, conseguiu que fosse aceite a sua resignação. A fama da sua inteligência, bondade e caridade chegou até nós.
Faleceu em 16 de Julho de 1590, com auréola de santo.
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