Testemunhos vivos
Uma mãe com centenas de filhos
Exaltar as mães é algo de natural e que, por isso, não surpreende muito. É o sangue a falar mais alto. Exaltar uma mulher que dedicou toda a vida a dar carinho a crianças privadas do amor de uma mãe e um pai biológicos e que foram recebidas numa casa de acolhimento, é já mais raro mas , por isso mesmo, mais meritório.
Foi o caso contado pelo amigo João Hingá, também ele beneficiado desse carinho, e que me pediu para publicar o texto que segue:
«O nome desta mulher, pouco ou nada dirá a milhares, mas para centenas de jovens foi a mãe não biológica, de quem receberam carinho e amor.
Foi uma mulher que se apaixonou pela doutrina e espírito de Pai Américo, dedicando toda uma vida à Obra da Rua (Casas do Gaiato). Abdicou de tudo, da sua família, pais e irmãos, de constituir a sua própria família, dedicando-se durante mais de seis dezenas de anos a dar carinho e amor a tantos jovens que, pelas contingências da vida, não souberam o que era um carinho de mãe. Após o seu sim à entrega total, Pai Américo exclamou: "Temos Luz".
Que pena não haver mais Marias da Luz e que tanta falta fazem para dar amor.
No momento que Deus a chamou a Si, já gasta pelos anos e pela sua débil saúde, que nos dois últimos anos se agravou, dezenas dos seus antigos "filhos" não a esqueceram, curvaram-se respeitosamente perante o seu corpo, depositado em câmara ardente no salão da Casa de Miranda do Corvo, assistindo à missa solene concelebrada pelos Padres da Obra, acompanhando-a depois à sepultura, onde repousa junto de seus pais.
Convivi na minha juventude muito de perto durante anos com esta senhora. Dela recebi carinho e repreensões, mas sempre com o sentido, que eles eram sinónimo de me tornar um homem responsável e de bem. Por isso, obrigado Maria da Luz.»