Testemunhos vivos

Dinheiro e felicidade

A vida não é nada fácil para os desempregados. E sobretudo para quem está a pagar a casa e com filhos ainda novos. Outrora vivia-se com muitos apertos mas as pessoas já estavam mentalizadas para essa vida difícil.

Hoje, mesmo só o pensar que se pode perder o emprego já é motivo de depressão. E não se ganha nada com isso.

Quando vejo pessoas de poucas posses a fazer casas grandes e com tudo o que há de melhor, penso na desgraça que lhes pode bater à porta. Uma doença mesmo ligeira ou o desemprego temporário chega para pôr tudo a perder. Os bancos não perdoam aos mais débeis!...

Foi o caso de uma família, cujo chefe veio ter comigo aflito porque o desemprego da esposa tinha atrasado a entrada do dinheiro em casa para pagar a prestação do banco. E o salário de um só não chegava sequer para pagar a mensalidade bancária. E a acusação ia direita para a esposa que era demasiado gastadora.

Quantas vezes temos lembrado aos noivos que o dinheiro não é a condição fundamental da felicidade do seu lar e que deve ser bem administrado. Mas quantos ignoram ou esquecem esta realidade e põem-se a gastar desalmadamente em muito que era evitado. Preocupam-se em ter uma boda faustosa e com o maior número de convidados. Compram coisas supérfluas e muitos nem fazem contas se vão ter rendimentos para fazer face às despesas Um casamento assim tem tudo para não dar certo. Cedo começam os apertos e as discussões por este ou aquele ser mais avaro ou gastador. É que «onde não há pão todos ralham mesmo sem razão».

Outrora a mentalidade era outra e as coisas iam correndo com menos queixas e desuniões. É que a felicidade não depende só do dinheiro mas também da ambição. O ambicioso raramente consegue ser feliz com o que tem. Hoje há mais recursos que outrora mas as pessoas parecem-me menos satisfeitas. Muitas vezes os bens materiais só servem para dividir Recordo a propósito a conhecida história que líamos nos livros da escola primária:

Havia um sapateiro pobre que trabalhava à porta de casa, enquanto cantarolava feliz na sua vida humilde. Tinha cinco filhos que vestia e alimentava com dificuldade. Em frente à sua casita veio morar um homem rico, que compadecido daquela vida pobre, enviou ao sapateiro uma grande quantia de dinheiro.

O sapateiro ficou muito surpreendido. À noite esteve a contar o dinheiro com a mulher.

Que vamos fazer com este dinheiro?perguntou à esposa.

E ninguém, conseguia estar de acordo com o destino a dar àquela pequena fortuna.

Azedaram-se os ânimos e o remédio foi entregá-lo de novo ao doador. Só assim voltou a paz àquela família.

Posso estar enganado mas a administração do dinheiro parece-me ser hoje a ruína de muitas famílias.

                                                                                                                                                                         M. V. P.