Testemunhos vivos

A coragem de João Paulo II

Desta vez apenas transcrevemos o Editorial do diário "A Capital", de 25 de Setembro. E é um bom testemunho, demais a mais provindo donde vem.

"Coragem e resistência têm caracterizado as acções do Papa João Paulo II em todas as situações marcantes da vida no Planeta. E desta vez, quando os ânimos explodiram e a guerra global assomou iminente, lá esteve ele, com uma dificuldade imensa em expressar-se e movimentar-se, nas imediações do alvo de retaliação, no Cazaquistão e Arménia, qual árbitro máximo neste combate.

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Um combate que se adivinha catastrófico para todos os que irão envolver-se por força das circunstâncias trágicas que consumiram em poucos minutos cerca de seis mil vidas, nos Estados Unidos da América.

Numa manifestação de enorme solidariedade e fazendo jus à política de ecumenismo que tem vindo a pregar ao mundo inteiro, mesmo junto dos povos que tantas vezes lhe são hostis, o ex-cardeal polaco Karol Wojtyla - o primeiro Papa não italiano em 400 anos de história do Vaticano - deslocou-se às zonas quentes de fronteira com o anunciado campo de batalha, o Afeganistão, para exortar as populações amedrontadas à união, independentemente das religiões de cada um. Católicos, protestantes, siks, imãs, hindus, todos deverão aceitar-se na sua diferente interpretação da religião, disse. Mas, sem radicalismos, sem fundamentalismos que deturpem o objectivo comum das palavras de cada deus. Alá ou Cristo, ambos defendem a paz e a união entre os homens. E é nesse ponto que deverão convergir as filosofias, as preces e as acções da Humanidade. O Papa anda a pregar o ecumenismo. Mas o mundo parece surdo. Há sempre alguém ou alguns que deturpam as sentenças, há sempre alguém que procura assumir-se como o próprio deus e que resolve impor as suas leis. Dogmas contra os quais é difícil lutar sem ser levado por armas iguais. Olho por olho, num mundo de desintegração fácil com bombas atómicas à mão e gases, bactérias e vírus de lançamento invisível, é chamar a si o "demónio" do terrorismo. Seguindo a voz do Papa – no fundo a consciência colectiva –, torna-se premente repensar a forma de resposta aos ataques aos Estados Unidos.


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