Testemunhos vivos

A força de Fátima

Vários testemunhos me chegaram sobre a manifestação de Fé que foi a Procissão do dia 12 de Novembro em Lisboa. Como não os posso referir todos, atenho-me a dois. O 1.º é dum jornalista distinto e bem conhecido, Luís Delgado:

«São impressionantes, para um católico, mas igualmente para qualquer outro cidadão de outra religião, ou ateu, ou simplesmente desatento, as imagens de fé que levaram, no sábado, centenas de milhares de pessoas a acompanhar a imagem de Nossa Senhora de Fátima pelas ruas de Lisboa».
«Não é vulgar, nem comum, em país algum, que uma procissão, numa capital despovoada, ao final da tarde, com um tempo pouco agradável, junte tantos fiéis, homens da Igreja, católicos serenos ou afastados das igrejas, e dos rituais dominicais, para seguir com fé e evidente crença a manifestação que deu lugar à consagração da cidade a Nossa Senhora. E as imagens mostraram pessoas de todas as idades, jovens e idosos, classes distintas, raças diferentes, mas todos unidos pela mesma devoção. É bom que a Igreja, e as suas imagens, saiam dos seus redutos e locais de culto para se misturarem com os cidadãos comuns, anónimos, e que pela magnitude evidenciada, não se reproduz, de nenhuma forma, no que se vê, diariamente ou aos domingos, nas missas rezadas nas dezenas de igrejas da capital.

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Foi inédito, grandioso, elevado e regenerador, particularmente num momento do País e dos portugueses em que nada dá esperança, em que o futuro é uma incógnita e em que as dificuldades se avolumam. É nisto que a religião católica, como outras, noutras partes do mundo, se eleva e transforma as pessoas».

O Professor José Cerca, da Lagarteira, também me fez chegar o seu testemunho:

«Perante a impressionante manifestação de Fé, vivida em Lisboa, no dia anterior (José Cerca fala do regresso da Imagem Peregrina a Fátima, a que assistiu), o Bispo de Fátima confessou que também ele chorou, comovido por tão sentido testemunho de Fé e amor à Virgem de Fátima, aclamada também como Rainha de Portugal, e cuja capital acabara de lhe ser consagrada pelo Cardeal Patriarca de Lisboa».

«E já não é de estranhar que, perante tão insólita manifestação, sem cartazes, gritos ou reivindicações a que estamos geralmente habituados, esta tenha importunado alguns fazedores de opinião da nossa praça».

«Que pelo menos este acontecimento os faça reflectir no respeito e na tolerância que nos merecem todas as manifestações genuínas do nosso povo, sobretudo aquelas que têm a ver com as suas crenças e convicções religiosas...»

M. V. P.