Testemunhos vivos
Uma das notícias que nos surpreendeu esta semana foi a publicada pelo jornal italiano
«La Stampa» de que Fidel Castro pediu ajuda à Igreja católica para combater a praga do
aborto em Cuba. A informação chega pelo cardeal Tarsicio Bertone no término de sua
recente visita à ilha, numa entrevista concedida àquele jornal. De outro modo teríamos
dificuldade em admiti-la como verdadeira. É que foram regimes comunistas como o de Cuba
que liberalizaram o aborto que durante milénios foi tido como uma prática desumana.
O referido cardeal arcebispo de Génova falou do encontro que teve com o
presidente cubano, Fidel Castro, no final de sua visita de uma semana àquela ilha, onde
foi acompanhar dois padres «Fidei Donum» que a sua Diocese ofereceu para pastorear Cuba.
«A difusão do aborto, como sublinhou Fidel Castro, está entre as causas da crise
demográfica do país. E é também uma consequência da praga do turismo sexual. É
natural que Castro esteja preocupado e que eu me envergonhe do comportamento de certos
italianos no exterior», reconheceu o prelado.
«No aborto e na baixa natalidade a Igreja pode dar sua contribuição num país onde já
a abertura é total», descreveu.
Este apelo de Fidel Castro recorda-me um dos argumentos que muitas pessoas mesmo não
católicas aduzem contra a descriminalização do aborto. Desta depressa se passa à
liberalização e daí até ao desrespeito total da vida humana vai um pequeno passo. Num
tempo em que há muitas guerras e com armas sofisticadas mas em que há mais
mortes violentas e criminosas levadas a cabo por civis do que em todas as guerras do
globo. Isso denota bem que toda a cautela é pouca em liberalizar leis como a do aborto
que é sempre um atentado contra vidas inocentes.O recente Sínodo mais uma vez chamou a
atenção dos governantes e dirigentes cristãos para a responsabilidade social de
apresentar e votar leis iníquas como a da eutanásia e do aborto.
M. V. P.