Testemunhos vivos

Ainda as Jornadas da Juventude

Hoje quero compartilhar com os leitores uma entrevista do Bispo, D.Carlos Aguiar Retes, vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e secretário-geral da Conferência do Episcopado Mexicano (CEM). Nesta entrevista, ele faz um balanço das Jornadas da Juventude em Colónia, onde esteve também presente.

À pergunta do jornalista se este encontro de tantas centenas de milhares de jovens pode contribuir para o ressurgir do catolicismo na Europa e no mundo, o bispo responde que estes encontros têm uma força extraordinária a muitos níveis. Desde logo nas paróquias e dioceses são promotores de uma pastoral juvenil mais organizada. Depois porque são uma experiência de Deus sentida fortemente no interior de cada jovem.
«O mundo oferece-lhes uma variedade imensa de experiências, e depois de um percurso, a maior parte dos jovens sente um oco, vazio, que não dá resposta a todas as suas inquietudes. Então isto pode levar o jovem a redescobrir Cristo na fé. Um Cristo exigente, comprometido e fiel; um Cristo que dá resposta às dúvidas e incertezas. Isto traz a possibilidade para a Igreja de poder também, testemunhar ante o mundo que os valores do Evangelho são os que abrem o caminho à felicidade».
«E isto os motiva a construir uma nova sociedade. A sociedade tem uma grande presença do mal. Lamentavelmente dedicam 90% nos meios de comunicação a esta presença do mal e 10% dedicam à presença do bem; o jovem quer mudar esta ordem, e a sociedade que a juventude está sonhando é uma sociedade onde 90% sejam testemunho da presença do bem, e só acaso 10% da presença do mal. Para que isto se dê, temos de inverter os valores de como se move a economia, de como se movem os interesses das nações, de como se movem os interesses dos meios de comunicação. Este é o mundo que há que construir, este é o grande desafio que a juventude de hoje tem.
Quanto aos frutos que se esperam destas Jornadas o Bispo responde:

-- Eu creio que o primeiro fruto vai ser aqui mesmo, na Alemanha; escuta-se por todos os lados a surpresa que estão tendo os alemães, sejam ou não crentes, sejam ou não católicos. Isto vem revolucionar a maneira de conceber a religião, porque para eles a religião está em franca decadência, é algo que vai passando e o milénio augura a perda total de manifestações externas do religioso. O laicismo, ou o liberalismo diz que a religião é individual e que não tem nenhuma razão de ter manifestações públicas. Então, o facto de ver tantos jovens que manifestam publicamente a fé, vieram pela sua fé, pois isto é um fenómeno que ninguém pode negar, restabelece a hipótese, a maneira de ver a religião. Isso já é o primeiro fruto: provocar a reflexão. Depois a acção do próprio Papa só beneficia com os contributos da gente nova.