Testemunhos vivos
Uma vida ao serviço dos pobres
| Há dias fui surpreendido com a notícia de
que o famoso Abbé Pierre, fundador do movimento Emaús, festejou o seu 93º aniversário,
recebendo os jornalistas para uma conferência de imprensa. O padre mais conhecido de França tem ar de profeta e esplendor de santo. Sem papas na língua, é um revolucionário que incomoda os poderes instituídos quando os ataca duramente pela falta de apoio aos pobres e coloca o dedo na ferida da luta contra as desigualdades sociais e o desemprego. "Ter, aos 93 anos, uma actividade social como a que eu tenho não é
habitual", admitiu, em declarações à Agência France Press. De seu nome Heni
Grouès, o "Abbé Pierre", é o quinto filho de uma família de cinco rapazes.
Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon. Quando tinha 15 anos, no decurso de um
congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu "a emoção indescritível" da
revelação divina. |
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Em Novembro de 1949 fundou a associação Emaús, uma comunidade que se consagra à
construção de casas provisórias para os sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos
de recuperação.
O Movimento de Emaús abarca hoje 84 comunidades em que vivem e trabalham mais de quatro
mil pessoas, em trinta países dos cinco continentes.
Comendador da Legião de Honra, o Abbé Pierre é uma personalidade que muitos franceses
apreciam pelo seu compromisso com os mais pobres.
«É um santo, um homem bom», afirma, em geral, a maioria dos franceses.
Os políticos respeitam-no porque temem o seu prestígio. Apenas a extrema direita tem ousado criticá-lo pelo seu apoio aos imigrantes. Mas a quem está no governo há-de custar ouvir o que ele ainda há poucos dias afirmou:
Combatam a pobreza! Não combatam os pobres!