Testemunhos vivos

Uma vida ao serviço dos pobres

Há dias fui surpreendido com a notícia de que o famoso Abbé Pierre, fundador do movimento Emaús, festejou o seu 93º aniversário, recebendo os jornalistas para uma conferência de imprensa.

O padre mais conhecido de França tem ar de profeta e esplendor de santo. Sem papas na língua, é um revolucionário que incomoda os poderes instituídos quando os ataca duramente pela falta de apoio aos pobres e coloca o dedo na ferida da luta contra as desigualdades sociais e o desemprego.

"Ter, aos 93 anos, uma actividade social como a que eu tenho não é habitual", admitiu, em declarações à Agência France Press. De seu nome Heni Grouès, o "Abbé Pierre", é o quinto filho de uma família de cinco rapazes. Nasceu no dia 5 de Agosto de 1912 em Lyon. Quando tinha 15 anos, no decurso de um congresso de jovens cristãos em Assis, sentiu "a emoção indescritível" da revelação divina.
Em 1938 entrou no convento dos Capuchinhos, onde passou a chamar-se "Padre Filipe", tendo sido ordenado em 1938.
Trabalhou na catedral de Grenoble e na Alsácia, antes de se empenhar na Resistência durante a II Guerra Mundial – período em que ajudou muitas pessoas a fugir para a Suíça, sendo conhecido, na resistência, como "Abbé Pierre".

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Em Novembro de 1949 fundou a associação Emaús, uma comunidade que se consagra à construção de casas provisórias para os sem-abrigo, financiada pela revenda de objectos de recuperação.
O Movimento de Emaús abarca hoje 84 comunidades em que vivem e trabalham mais de quatro mil pessoas, em trinta países dos cinco continentes.
Comendador da Legião de Honra, o Abbé Pierre é uma personalidade que muitos franceses apreciam pelo seu compromisso com os mais pobres.

– «É um santo, um homem bom», afirma, em geral, a maioria dos franceses.

Os políticos respeitam-no porque temem o seu prestígio. Apenas a extrema direita tem ousado criticá-lo pelo seu apoio aos imigrantes. Mas a quem está no governo há-de custar ouvir o que ele ainda há poucos dias afirmou:

– Combatam a pobreza! Não combatam os pobres!