Testemunhos vivos

Para onde vamos?!

A caminho do Senhor da Serra, ouço na rádio que estava a começar o julgamento de uma menina inglesa que era indiciada de tentar matar um menino de 5 anos com a ajuda de outras crianças de 11 e 12 anos. E na mesma rádio um psicólogo explicava que todos nós, desde crianças, temos uma tendência inata para o mal, que pode manifestar-se em qualquer altura e com requintes de malvadez como neste caso. «Só uma educação dos afectos e a religião podem suster tal instinto», explicava o especialista.

No regresso, ouço na mesma estação uma notícia de arrepiar: uma multidão de mais de 500 crianças e jovens invadiu as areias da praia de Carcavelos e pos-se a roubar e a agredir os banhistas, numa operação concertada. Tinham entre os 12 e 20 anos, na maioria irresponsáveis perante a Justiça. Estavam armados de navalhas e pistolas. Desceram dos bairros sociais onde tinham sido instalados após o derrube das barracas.
O programa de realojamento que várias câmaras de Lisboa fizeram falhou em termos de reinserção. Esta revoada de mais de 500 jovens tem atrás de si, como causa imediata, o insucesso escolar, a ausência de emprego e um afastamento dos padrões culturais dos pais.
«Tem dentro de si o germe da revolta, do ressentimento social e a sedução voraz de uma sociedade de consumo à qual não têm acesso, a não ser por métodos ilícitos, mas da qual já querem usufruir. A sociedade de mercado deu--lhes promessas que não pode cumprir», escrevia o jornal "A capital".

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A esta gente falta a tal educação dos afectos – o afecto da família, da escola, da sociedade – e então vem ao de cima o tal instinto de malvadez que vai ser difícil controlar. É que lhes falta também a religião tradicional dos pais que eles abandonaram ou nunca ninguém lhes transmitiu.

Quando vemos as nossas crianças e adolescentes de aldeias, vilas e mesmo cidades a frequentar a escola e a catequese e, salvo raras excepções, a ter um comportamento cívico razoável nas famílias e na sociedade, temos que dar graças a Deus pelas famílias que ainda temos. É sinal que recebem o mínimo de afecto e lhes são transmitidos os valores espirituais por que se rege a maioria da nossa gente.

                                                                                                                                                                                              M. V. P.