Testemunhos vivos
O mediatismo do Papa
Nos últimos tempos, tem-se visto um frenesim da comunicação social a noticiar a doença do Papa. Mesmo órgãos a quem pouco interessa a Igreja. E muitos jornalistas criticam a informação dada pelo Vaticano sobre o estado de saúde do Papa. Querem mais pormenores. As pessoas querem ser informadas, dizem.
João Paulo II tem sido, ao longo destes últimos decénios, a figura com maior notoriedade do mundo. Todos os quadrantes lhe dão importância. E vale a pena perguntar porque é que, mesmo para não crentes, ele é tão importante. Logo num mundo que parece pouca importância dar ao espiritual.
Claro que o Papa é o chefe da igreja cristã com maior número de fiéis. Mas essa razão não chega para explicar o seu mediatismo. A razão maior estará na mensagem que ele proclama, mesmo agora sem voz. É conhecida a sua luta em favor dos desfavorecidos a luta pela justiça social. Embora sem deixar de condenar os sistemas ditatoriais, ele sempre denunciou também o liberalismo e capitalismo selvagem, que oprime os fracos e suga a riqueza dos países pobres.
Foi sempre conservador na defesa dos valores mas quase revolucionário na luta pela paz, mesmo contra as superpotências, União Soviética e América antes, e, há pouco, a América no Iraque. O ecumenismo, a abertura a outras igrejas cristãs e não cristãs e ao homem em geral é outro dos seus ideais. Veja-se a defesa da vida, contra tudo e contra todos: a condenação do aborto, da eutanásia, da exploração das crianças e outros seres indefesos. O Papa tem aqui muitos opositores, mas uma coisa é certa, ele tem a razão de seu lado.
E agora aquilo que é mais impressionante: João Paulo II não verga perante a doença e a idade. O sofrimento identifica-o com uma multidão de seres humanos, os mais fracos dos sofredores do mundo, que são os doentes, e nomeadamente os doentes idosos. Milhões que enfrentam com mais coragem o seu sofrimento, porque se identificam com uma pessoa que é um deles mas que quase todos consideram um santo. E todos sabemos como a experiência do sofrimento é universal.
M. V. P.