Testemunhos vivos

A propósito da Quaresma

A Quaresma convida-nos a reflectir sobre a mossa vida neste mundo e a prepararmo-nos para a Páscoa. Não apenas para a Páscoa de Cristo mas também para a nossa. Isto é: para a nossa salvação. O apelo da Palavra que a Igreja neste tempo nos transmite é que nos convertamos. Que deixemos o pecado e nos treinemos para vencermos as tentações.

Ora a confissão é o caminho que Cristo nos deixou para recebermos o perdão. E a este propósito lembro-me dum caso que ilustra a dificuldade que alguns cristãos têm de se confessar, sobretudo os que menos o fazem.

– Gostava de ter uma conversa consigo, disse-me uma vez um homem que me bateu à porta.

– Já não tenho muito tempo. Estão a chegar as horas de ir fazer um funeral, mas diga.

confissao178.jpg (50151 bytes)

– O senhor não me conhece pois sou da freguesia tal, mas estou para partir para a África e queria confessar-me porque lá posso não ter ocasião e tenho umas coisas que me andam cá a pesar. Vim cá para falar consigo se tenho ou não de me confessar para Deus me perdoar.

– Se forem pecados graves terá de os confessar. Mas venha cá amanhã e conversaremos sobre a confissão.

– É que sabe, alguns dos meus colegas dizem que se confessam a Deus. Isso chegará?

– Não, mas amanhã explico-lhe isso.

– Olhe o que me anda a pesar é isto e isto e isto.

E o homem confessou aquilo que lhe ia na alma. Dei-lhe a absolvição e disse-lhe:

– Então se quiser, amanhã apareça da parte da tarde que estarei por casa.

O homem apareceu e disse-me que já não tinha qualquer dúvida sobre a confissão. É que ela tinha-lhe tirado um fardo das costas.

– Se em África tiver a quem, vou-me confessar volta e meia, disse-me.

                                                                                                           M. V. P.