Testemunhos vivos

A propósito dum aniversário

 

Os jornais encheram-se, há dias, aquando da passagem do 6o.o aniversário da libertação do campo de extermínio de Auschwitz, de artigos sobre o nazismo, apontado como o mal por excelência. Estamos totalmente de acordo que essa política era maligna mas, infelizmente, não esgota o Mal. Ele continuou e vai continuar, sob muitas formas, entre as quais o terrorismo e os crimes contra a vida.

O mal só se vence fazendo o bem, como escreveu o Papa na mensagem do Dia Mundial da Paz. E ajudando as pessoas que são suas vítimas.

Foi o que fizeram muitos sacerdotes, religiosos e leigos que se sujeitaram a perder a vida, durante a perseguição nazista na Itália e em outros países, para salvar judeus e detractores do nazismo.
No livro «História dos judeus italianos», publicado graças a uma pesquisa da Acção Católica Italiana, Luciano Tas sublinha a contribuição oferecida até o derramamento do sangue por parte da Igreja Católica para ajudar e pôr a salvo os judeus perseguidos.

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De acordo com o «Martirológio do Clero Italiano», 729 sacerdotes e seminaristas perderam a vida entre 1940 e 1946; destes, não menos que 170 foram assassinados por terem ajudado judeus e detractores do nazismo.
A edição em italiano do jornal da Santa Sé, «L’Osservatore Romano», recorda o testemunho de Giovanni Palatucci, polícia que faleceu em 10 de fevereiro de 1945 no campo de concentração de Dachau, aos 36 anos, onde havia sido internado por salvar milhares de judeus. Proclamado por Israel «Justo entre as Nações», a fase diocesana de seu processo de beatificação foi concluída no ano passado.
Outro caso é o de um pai de família, Odoardo Focherini (1907-1944). Começou a ajudar os judeus ainda antes de 8 de setembro de 1943, quando auxiliou um grupo de refugiados chegados da Varsóvia. Salvou 105 judeus da deportação nazista. Foi detido e internado no campo de Hersbruck, onde faleceu.

Mais que denunciar o mal, é bom que imitemos estas pessoas a auxiliar quem sofre.

                                                                                                                                                     M. V. P.