Testemunhos vivos

Atitudes comovedoras

Há coisas que nos fazem acreditar num mundo melhor. Coisas que eram de todo impossíveis há poucos anos. Há hoje uma sensibilidade nova de aproximação entre pessoas de religiões e culturas diferentes. Apesar de algumas atitudes contrárias, repetem-se os gestos solidários. Muitas vezes inesperados. Quem esperaria que se fizessem orações públicas por parte dos católicos por um chefe da religião muçulmana ou judaica? Decerto poucos ou ninguém. E quem esperaria que judeus e muçulmanos rezassem publicamente pelas melhoras do chefe da Igreja Católica?

Mas aconteceu. As agências noticiosas deram-nos conta de que em muitas mesquitas da Itália, se elevou uma oração especial por João Paulo II, que se encontrava no Hospital Agostiniano Gemelli, em Roma, por causa das complicações provocadas por uma gripe.
A ideia foi lançada pelos chefes da comunidade religiosa islâmica na Itália, que convidaram seus irmãos a «expressar a nossa solidariedade para com este grande homem».

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O Papa sempre lutou pela paz e pelos pobres e contra a guerra», foi repetido em muita mesquita. E nas cerimónias muçulmanas de Sexta-feira, fez-se uma oração especial pela saúde do Papa, por sua rápida cura.
Entre as mensagens que João Paulo II recebeu no hospital Agostiniano Gemelli, uma das mais comovedoras foi o telefonema do rabino-chefe de Roma, Riccardo De Segni, que lhe assegurou que «todos os judeus rezam por sua recuperação».

Sinais dos tempos! Oxalá se multipliquem!

Os últimos conflitos entre chefes de governos ocidentais e árabes também serviram para aproximar os nossos povos de diferentes culturas e religiões? Parece que sim. Pelo menos, estas atitudes comovedoras parecem evidenciá-lo.

                                                                                                                                                            M. V. P.