Testemunhos vivos
Uma grande mulher!
Faleceu há pouco tempo, em Lisboa, a Irmã Zulmira. Tinha 92 anos. Nascida em Angola, veio ainda jovem para Portugal. Em 1942, optou pela vida religiosa, ingressando na Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, fundada há 70 anos em Lisboa pelo Cardeal D. Manuel Cerejeira, que tem actualmente cerca de 200 religiosas. Muito pequena e franzina, fez jus ao ditado de que os homens não se medem aos palmos e as mulheres muito menos. Gastou a sua vida a ajudar os mais pobres. Destes, os ciganos foram sempre a sua prioridade: servia-os com a mesma dedicação e devoção com que serviu Paulo VI, João XXIII e João Paulo II quando eles se deslocaram a Portugal. Directora Adjunta da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, entrava nas barracas com o mesmo à-vontade com que percorria os corredores dos Ministérios na sua procura incessante de resolver os problemas dos outros, sobretudo os pobres. Mesmo doente e sem forças, volta e meia os ciganos vinham pedir-lhe conselhos e contar-lhe as suas agruras e esperanças. |
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À maneira do nosso Padre Francisco Antunes, ela fazia parte da família cigana. Todos a respeitavam e lhe abriam as portas.
Os jornais e as televisões não deram qualquer relevo à sua vida. Como o poderiam dar à sua morte?! Já estamos acostumados.
Mas o seu exemplo ficou. Ele é testemunho vivo da dedicação de tantas e tantos que gastam as suas vidas a servir os mais pobres. Pessoas da Igreja e de fora dela.
Lembro-me do que o meu avô dizia: "São estas almas que não deixam que a ira de Deus se abata sobre o mundo". Eu diria dum modo mais positivo: São pessoas assim que não deixam morrer a esperança de um mundo mais justo e melhor.
M. V. P.