Testemunhos vivos

Regresso à confissão

conf17.jpg (34165 bytes)
Pelo menos é isto que escreve Ellen van Dalen, no diário Trow, de 22 de Dezembro último, numa reportagem sobre a revitalização da Confissão na Holanda. Aqui deixamos alguns excertos, traduzidos por E. Varela.

«Faço trabalho de voluntariado e tenho quatro filhos. Desde que me converti ao catolicismo, a primavera passada, confesso-me pelo menos uma vez por mês. É um pedido do Papa. Confessar-me mantém-me vigilante. Um olhar para trás e acusamo-nos do que não esteve bem. Dá-me mais paz do que só rezar. Sempre recebemos uma resposta através do sacerdote. Assim, sei que os meus pecados foram perdoados".

Assim fala Ingle Lit (42 anos) de Rotterdam. E Marit Kramer (19) conta que se animou a confessar-se com frequência ao ver os milhares de jovens que o faziam em Roma nas Jornadas Mundiais da Juventude.

Kees Stam, pároco da Igreja de São Miguei e São Clemente de Roterdam, conta a sua experiência. «A prática da confissão aumentou em 150%, graças ao insistente apelo de João Paulo II.

Em Tilburgo explica o decano dos sacerdotes, Dré Brouwers reunimo-nos, as igrejas católicas, como resposta à carta do Bispo, para ver como poderíamos revitalizar a prática deste sacramento. Querer é uma coisa, mas era preciso pôr os meios. Concluímos que o sacerdote não tinha que levantar o dedo com ar ameaçador mas antes ser compreensivo, gastar o tempo necessário para ouvir, atrever-se a dar um conselho, e se necessário pedir ajuda aos colegas, mas tendo sempre em conta a confidencialidade».

Kees Stam destaca que este ano passaram muitos jovens pelo confessionário. O mesmo notaram Norbert Scheil, da catedral de Utrecht, e Chris van del Ploeg, reitor de 'Onze Lieve Vrouwekerk', de Amsterdam, igreja onde, para preparar o Jubileu do ano 2000, se propuseram como meta chegar a 2000 confissões, meta que se ultrapassou largamente. Ambos trabalham em ambientes universitários e advertem que há muitos jovens que descobriram a confissão e a praticam.

Na mesma reportagem, o sociólogo Meerten ter Borg explica este fenómeno dizendo que os jovens seguem a moda e agora optaram pelo confessor em vez de recorrer ao psicoterapeuta. Pauline Averdijk corrobora tal tese: «Não somos gente frágil, temos os pés bem assentes na terra. Não necessitamos de terapia». Pauline frequenta os encontros para jovens no centro paroquial de Baam, Het Trefpunt. Ela e os seus colegas também se confessam. Um deles, Michel Pauw, afirma a modo de conclusão: «O que é uma sorte é podermos, de cada vez, começar de novo».


Copyright O AMIGO DO POVO - amigodopovo@sapo.pt

Produção:
amigopovo1.jpg (17264 bytes) seta.gif (554 bytes)