Testemunhos vivos
Vida religiosa floresce na China
| A província de Shanxi, a leste do rio Amarelo, no Norte da China, acolhe
uma Igreja humilde, pobre em estruturas, com uma falta de formação adequada nos
conventos de religiosas, mas cheia de vitalidade e com uma fé herdada dos seus
antepassados que a cruel ideologia maoísta não conseguiu destruir em cinco décadas de
perseguição e controlo. Nesta zona, em parte um deserto, estão a florescer comunidades
de vida religiosa, cujos membros, na maioria jovens, se encontram a percorrer as etapas
formativas. Algumas das dioceses de Shanxi, como Taiyuan, onde existem algumas religiosas missionárias anciãs que sobreviveram à revolução comunista nas comunidades religiosas de Datong, Xinjiang (com 40 religiosas), Hong Dong (com mais de 60) e de Changzhi, estão a registar um apreciável renascimento da vida religiosa feminina por detrás da cortina de bambu comunista, vivendo com grande entusiasmo, espírito de fé e sacrifício. |
|
Algumas das comunidades religiosas da província vivem em zonas pobres, semidesérticas, mas os bispos, já acostumados a inúmeros sacrifícios e perseguições, mostram um certo bom humor quando lhes perguntamos se não será sintomático ver como no deserto continuam a florescer mais do que nunca vocações à vida religiosa. É um motivo de esperança para a Igreja da China. Constata-se, mais uma vez, que o sangue dos mártires, como dizia Tertuliano, é semente de novos cristãos. Os mártires da era comunista, testemunhos vivos na China dos nossos dias, tal como os canonizados no dia 1 de Outubro de 2000, serão, sem qualquer espécie de dúvida, fonte de inspiração para fortalecer a vida cristã, que cada vez surge com mais força em muitas dioceses da China
Daniel Cerezo Ruiz
Copyright O
AMIGO DO POVO - amigodopovo@sapo.pt
Produção: