Testemunhos vivos

Vida religiosa floresce na China

A província de Shanxi, a leste do rio Amarelo, no Norte da China, acolhe uma Igreja humilde, pobre em estruturas, com uma falta de formação adequada nos conventos de religiosas, mas cheia de vitalidade e com uma fé herdada dos seus antepassados que a cruel ideologia maoísta não conseguiu destruir em cinco décadas de perseguição e controlo. Nesta zona, em parte um deserto, estão a florescer comunidades de vida religiosa, cujos membros, na maioria jovens, se encontram a percorrer as etapas formativas.

Algumas das dioceses de Shanxi, como Taiyuan, onde existem algumas religiosas missionárias anciãs que sobreviveram à revolução comunista nas comunidades religiosas de Datong, Xinjiang (com 40 religiosas), Hong Dong (com mais de 60) e de Changzhi, estão a registar um apreciável renascimento da vida religiosa feminina por detrás da cortina de bambu comunista, vivendo com grande entusiasmo, espírito de fé e sacrifício.

china08.jpg (39825 bytes)

Apesar das condições austeras de vida, das dificuldades e do permanente controlo do Governo, a Igreja da China encontra-se fortemente arraigada na fé. Pouco a pouco, a água vai cavando o seu leito e vão-se abrindo portas à evangelização, tarefa em que as irmãs estão activamente comprometidas. Mais uma prova de que o Espírito está a actuar através de pessoas simples, mas com uma fidelidade total a Cristo. Os crentes, por seu turno, têm a fé fortemente cimentada na dos seus antepassados e tanto eles como o clero e as religiosas se orgulham de proclamar bem alto o seu credo cristão. Por isso, correm riscos, que eles assumem em atitude de fé, procurando por todos os meios uma presença viva no meio da sociedade.

Algumas das comunidades religiosas da província vivem em zonas pobres, semidesérticas, mas os bispos, já acostumados a inúmeros sacrifícios e perseguições, mostram um certo bom humor quando lhes perguntamos se não será sintomático ver como no deserto continuam a florescer mais do que nunca vocações à vida religiosa. É um motivo de esperança para a Igreja da China. Constata-se, mais uma vez, que o sangue dos mártires, como dizia Tertuliano, é semente de novos cristãos. Os mártires da era comunista, testemunhos vivos na China dos nossos dias, tal como os canonizados no dia 1 de Outubro de 2000, serão, sem qualquer espécie de dúvida, fonte de inspiração para fortalecer a vida cristã, que cada vez surge com mais força em muitas dioceses da China

                                                                                                Daniel Cerezo Ruiz

Copyright O AMIGO DO POVO - amigodopovo@sapo.pt

Produção:
amigopovo1.jpg (17264 bytes) seta.gif (554 bytes)