Terrorismo
| Esperava escrever esta semana sobre a
cimeira do G-8 , reunida na Escócia, com uma agenda muito importante sobre o
meio-ambiente e a pobreza de África, mas o terrorismo conseguiu abafar esse
acontecimento, tirando-lhe importância. A Al-Qaeda e seus grupos associados, ou que em seu nome e estilo actuam por todo o mundo, sabem escolher os alvos e as melhores ocasiões. Londres vivia em clima de euforia por lhe ser atribuída a realização dos Jogos Olímpicos de 2012 e a preocupação da segurança tinha sido deslocada para a Escócia, onde era preciso proteger os grandes do mundo. |
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O que a própria polícia inglesa achava "inevitável" aconteceu na manhã do
dia 8 de Julho: a al-Qaeda atacou a cidade de Londres com quatro atentados, alegadamente
executados por suicidas. Atingiu sete alvos e provocou, até à hora do fecho desta
edição, pelo menos 55 mortos e cerca de 700 feridos.
Gente do povo, inocente e alheia às políticas foi atacada. Já foi assim nos Estados
Unidos e na Espanha. Os terroristas não excluem alvos ou países, eles são contra o
Ocidente e a liberdade. São fanáticos doentios, que aspiram a transformar o mundo num
espaço onde só eles e os seus seguidores ideológicos têm direito à vida.
A prevenção e a resposta a este novo terrorismo internacional, um terrorismo sem território e sem pretensões de reclamar qualquer soberania, não é fácil. Como se vê, ele não acaba só porque se faz guerra aos seus mentores. Escapam sempre alguns. E os piores estão mesmo fora desses países. Muitas vezes vivem lado a lado com gente pacífica que deles não desconfia.
Há quem pense que expulsando os muçulmanos dos nossos países ocidentais o perigo se minimizava. Mas pagava o justo pelo pecador e só se iam arranjar mais inimigos. Há coisas que só o diálogo e o amor conseguem. E parece-me que esta é uma delas.
M. V. P.