Relíquias de S. Teresinha

De 28 de Outubro próximo a 16 de Dezembro deste ano, estarão em todas as dioceses portuguesas as relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus. Devido a este acontecimento, a Conferência Episcopal Portuguesa escreveu uma Carta Pastoral -- "Vinda a Portugal das relíquias de Santa Teresa do Menino Jesus" - onde realça: "venerar a memória dos seguidores do Mestre, na pobre materialidade do que resta do seu corpo é ocasião de graça e alegria, momento de interpelação evangélica para a santidade e oportunidade de compromisso missionário".

Mas quem é Santa Teresinha?

No dia 20 de Novembro de 1887, Santa Teresa do Menino Jesus encontrou, aos 15 anos, o Papa Leão XIII (1878-1903) durante uma peregrinação organizada pela diocese de Lisieux, pedindo-lhe com ingénuo atrevimento a permissão para entrar no Carmelo antes da idade prescrita. O Papa respondeu-lhe categórico: "Vamos!...Vamos!... Se Deus quiser entrarás". O velho Pontífice não podia imaginar que o caso desta mocinha teria marcado tanto o pontificado de seus sucessores. Com efeito, todos os papas do século XX foram tocados, de um modo ou outro, pela "passagem" de Teresa. O primeiro de todos foi Pio XI, que a beatificou em 1923 e canonizou-a dois anos depois, nomeando-a em seguida, em 1927, padroeira das missões.

teresinha195.jpg (84215 bytes)

Tinham passado apenas dez anos da morte de Teresa quando Pio X recebeu de presente a edição francesa da "História de uma alma", autobiografia da santa. Pio X não teve hesitações com relação a Teresa, e por isso acelerou a introdução da causa de beatificação, que tem a data de 1914. Mas, já alguns anos antes, encontrando um bispo missionário que lhe doara um retrato de Teresa, o papa observara: "Eis a maior santa dos tempos modernos". Um juízo que poderia parecer arriscado, pois Teresa de Lisieux não contava somente com admiradores. A simplicidade da sua doutrina espiritual, fundada simplesmente na absoluta necessidade da graça, causava desagrado em não poucos eclesiásticos. No clima de um catolicismo tomado pelo jansenismo, uma espiritualidade fundada apenas na confiança e no abandono dócil à misericórdia de Deus parecia estar em contraste com o rigor de uma ascese centralizada na renúncia e no sacrifício de si. O eco dessa "suspeita" contra a doutrina de Teresa chegou até os ouvidos do Papa. O qual uma vez respondeu com decisão a um desses detractores: "A sua extrema simplicidade é a coisa mais extraordinária e digna de atenção nesta alma. Reestudem a vossa teologia".
É essa simplicidade de fé e entrega ao amor e à graça de Deus que leva multidões a visitar os sítios por onde passou e a venerar as suas relíquias.