Justiça social

Todos sabemos que a crise que o país atravessa, no aspecto económico, atinge sobretudo os mais pobres. Por isso aplaudimos as medidas anunciadas pelo governo no que se refere aos abonos e novo aumento das pensões mínimas.
Apoiar famílias com menores rendimentos e mais filhos é um imperativo de justiça social. Por isso, o governo vai diferenciar a forma de atribuição do abono de família. Os portugueses passarão a receber aquela prestação de acordo com o rendimento per capita do agregado familiar, ou seja, segundo o número de filhos. Nesse sentido, quem auferir mais do que cinco salários mínimos nacionais por cabeça (1750 euros) não tem direito à prestação: "Não é justo tratar-se da mesma maneira duas famílias com o mesmo rendimento total e um número diferente de filhos ", justificou Durão Barroso.

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O governo vai criar também um 13.º mês de abono de família, que se destina a crianças, entre os seis e os 16 anos, pertencentes a famílias mais carenciadas e que frequentem o ensino obrigatório. Será pago no início do ano lectivo e vai abranger 30% das crianças beneficiárias do abono, que são actualmente cerca de dois milhões. Estas novas regras de atribuição do subsídio entram em vigor no dia 1 de Outubro.

Estamos quase a trinta anos do 25 de Abril e as promessas de democracia social pouco passou de letra morta. Há um número elevado de portugueses que não têm o mínimo para uma vida digna. Os salários mais baixos contrastam em número e valor com os salários da classe alta. Sabemos que não é possível igualar mas uma tal diferença não é aceitável. Todos os partidos prometeram mais justiça social e inscreveram no seu próprio nome a palavra "social" ou equivalente, mas tem-se feito pouco nesse sentido. Estas medidas anunciadas não resolvem a questão mas vão no bom sentido.

                                                                                                                                      M. V. P.