Sexualidade
| A Conferência Episcopal Portuguesa, numa
Nota Pastoral com data de 23 de Junho último, pronunciou-se sobre uma polémica que veio
a lume nos jornais sobre as linhas programáticas de educação sexual e contestou a
introdução de um modelo de educação sexual nas escolas que seja contra os valores dos
pais. Nessa nota pastoral intitulada «Sobre a Educação da Sexualidade», a Igreja Católica defende que os professores devem seguir os valores das famílias em matérias de educação sexual e lamenta que se possam «considerar como padrão, comportamentos evidenciados por minorias, tal como o que respeita às relações sexuais praticadas por adolescentes». |
![]() |
Para a formação sexual dos jovens, a Igreja defende que deve ser dada prioridade à família, salientando que «o exercício desse direito-dever é anterior à intervenção de outras instituições» como a escola.
«Esta tarefa exige dos pais preparação adequada e contínua, de modo a capacitá-los para o diálogo, em clima de simplicidade e abertura à comunicação, que permita esclarecimento e orientação dos filhos», defendem os bispos, elogiando o esforço dos pais, apesar da «indiferença ou hostilidade perante a instituição familiar» que existe na sociedade actual.
«As outras instituições nunca podem substituir os pais» embora possam «ajudá-los no cumprimento da sua missão educativa», como é o caso da escola, declaram. «A escola é subsidiária da família e, no campo da sexualidade, como noutros, compete à família decidir as orientações educativas básicas que deseja para os seus filhos, decorrentes dos seus valores, crenças e quadro cultural», pelo que os pais devem ser chamados a «acompanhar o processo de tomadas de decisão (nos estabelecimentos de ensino), incluindo a selecção e a formação dos professores».
A nota defende ainda que os pais devem ter condições para recusar «determinados projectos ou acções por os considerarem desajustados em relação à perspectiva educativa que desejam para os filhos».