Padres na Rússia receiam o pior

O crescimento acentuado de russos que se convertem à religião católica tem suscitado a inveja dos ortodoxos. A criação, há uns meses, de quatro dioceses para atender às necessidades dos fiéis, foi o pretexto para as hostilidades. Por isso, actualmente, bispos e padres vivem em clima de insegurança em algumas zonas daquele país.

Por exemplo, os padres católicos polacos, em Irkutsk, temem que o clima anti-católico criado pela igreja ortodoxa e nacionalistas russos conduza a atentados. "A situação começa a escapar ao controlo da Igreja Ortodoxa, que lançou a campanha contra os católicos, pois juntaram-se a ela forças nacionalistas", advertiu o padre Weclawik, secretário do chanceler da cúria episcopal de Irkutsk, em entrevista ao jornal "Rzeczpospolita".

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Segundo a fonte, os padres da diocese pediram a protecção de patrulhas da milícia russa durante as Missas.

O sacerdote polaco assinalou que intelectuais ortodoxos têm-se solidarizado com os católicos, telefonam a manifestar o seu apoio e "até vêm assinar a petição a enviar ao presidente russo, Vladimir Putin".

Depois da expulsão do bispo de Irkutsk, D. Jerzy Mazur, na foto, acusado de proselitismo, os católicos da diocese escreveram uma carta de protesto pedindo ao presidente russo que intervenha a favor do regresso do bispo polaco. Este bispo continua a fazer as homilias por telefone, desde Varsóvia, onde se encontra actualmente.

Uma petição para o seu regresso é assinada na paróquia de Irkutsk. O pessoal médico do hospital para crianças contagiadas com sida e do hospital para tuberculosos e cancerosos assinou também uma carta de protesto.

Entretanto, parte da população exprime a sua aversão pelos católicos, apoiada e incentivada nestes sentimentos pela imprensa local, que não esconde o desagrado pela presença da Igreja Católica.

Segundo o jornal "Russki Wostok", os maiores inimigos da Rússia são Zbigniew Brzezinski (o exconselheiro da segurança norte-americana) e Karol Wojtyla (o Papa João Paulo II), que «empurraram a Rússia para uma grande tristeza».