O Taxista da Penajoia

Foi em Lisboa. Nos Restauradores procurei um táxi que me levasse à Avenida de D. Carlos I. Coube-me em sorte um motorista que me proporcionou um diálogo muito agradável:

– Sou da cidade mais bela de Portugal.

– Coimbra?

– Não! Lamego! Melhor, das suas proximidades, duma terrinha encantadora que se chama Penajoia.

Homem alto, tisnado pelo, sol, espadaúdo, de aspecto rude mas simpático, não tardou em se abrir sem rodeios, contando algo da sua vida um pouco atribulada. Lá me disse que era católico não só de nome mas praticante; que no próximo domingo lá estaria em Fátima num encontro nacional do Renovamento Carismático a que pertencia, integrado no grupo da basílica da Estrela... E o bom homem confidenciava mais: – chamo-me Manuel de Jesus Almeida e, por isso, Cristo está no meio do meu nome e no centro da minha vida. Aos dezanove anos fui para o Brasil e pouco depois a minha mãe – com que emoção ele falava da mãe!... – enviou-me numa carta um pequeno terço que é o que está ali à frente no tablier do carro. Está ali! – insistiu. Guardo-o há já cinquenta anos!

Sem dúvida que se trata do testemunho rico de um homem marcado pela fé cristã, gente de princípios que, não obstante o seu trabalho febril no bulício da grande cidade, ainda lhe sobra tempo para fortalecer a sua espiritualidade em espaços preciosos na sua paróquia –- o que proclama sem respeitos humanos.

A força das raízes! A mãe responsável atenta ao filho distante! A aceitação de um apelo da mãe carinhosa! A fidelidade mantida com perseverança ao longo de tantos anos! Maravilhoso!

Este homem, como leigo consciente, bem poderá ser, no mundo da sua classe e da sua actividade, autêntico fermento do Reino de Deus e da verdade de Cristo, uma presença viva da Igreja.

Foi para mim muito significativo este encontro com o taxista da Penajoia!

                                           A.S.


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