Relativismo moral

Numa mensagem dirigida ao Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Walter Kasper, o Papa Bento XVI reclamou a necessidade de uma base moral objectiva para alcançar da paz mundial e advertiu que o "relativismo moral afunda o trabalho da democracia".

Mas que é isso de relativismo moral? – perguntarão alguns dos leitores. Na Ética, o relativismo moral é a convicção ou crença que nada é objectivamente bom ou mau, e que a definição de bem ou de mal depende de um ponto de vista particular, da cultura ou de um período histórico.

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Muitos relativistas vêem os valores morais como aplicáveis somente dentro de determinados círculos culturais, isto é, cada sub-cultura pode ter os seus códigos morais próprios, e não existe nem pode existir um código moral que abranja toda uma sociedade (pode existir um código moral para os carteiristas, para os traficantes de droga, para os comerciantes, políticos, etc., etc.).

Bento XVI dirigiu esta mensagem ao Cardeal alemão que o representa na II Conferência Internacional dedicada ao tema "Paz e Tolerância, diálogo e entendimento no Sudeste Europeu, Cáucaso e Ásia Central", que se celebrou em Istambul (Turquia), de 7 a 9 de Novembro.

O Santo Padre destacou a importância de educar na verdade e de fomentar a reconciliação em caso de conflitos. "O respeito pelos direitos dos demais, que se traduz num diálogo sincero e fiel à verdade, guiará os passos práticos que se devem empreender".

Podemos dizer que há verdades que o são sempre, como por exemplo a de que todo o homem deve ser respeitado, sem distinção de raças, credos ou níveis sociais daí se hão seguir comportamentos de respeito pelo próximo, seja ele quem for. A paz, o amor, a justiça têm que ser objectivo comum da humanidade. «Não fazer ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem a nós» deve ser lema de qualquer ser humano.

Não serão os comportamentos juvenis de França que levam à destruição de bens públicos e privados o fruto duma educação onde impera o relativismo? E não estou a pensar apenas no relativismo moral dos jovens, mas também dos agentes educacionais, a começar na própria escola... Fica para outra altura uma reflexão mais aprofundada deste tema.

                                                                                                                                                                                      M. V. P.