Quaresma, tempo de esperança e partilha
1. O tempo da Quaresma, caminho de esperança para a alegria e a graça da Páscoa, começa neste ano ensombrado pelo medo e pela tristeza: são ameaças de guerra, notícias de abuso de crianças e de corrupção, aumento do desemprego, que cresce na nossa Diocese de modo preocupante.
Perante isto, os fazedores de opinião repetem comentários pessimistas sobre a sociedade, a política, a própria pessoa humana.
2. A celebração da Páscoa é justamente a resposta da fé para estas situações; e a resposta é Jesus Cristo, solidário pela morte, triunfante pela ressurreição.
Uma quaresma enraizada na vida supõe aceitar com humildade que a raiz destes males é o pecado do egoísmo; e que a solução para eles nos vem de Deus: chama-se conversão, requer a abertura à graça, passa pela purificação do sofrimento e da partilha, sustenta-se da força divina, floresce num agir de homem renovado. (...)
3. Os acontecimentos públicos, a que devemos juntar os nossos comportamentos pessoais, hão-de motivar uma oração mais frequente nestas semanas de preparação pascal. Seremos assíduos à reunião comunitária, particularmente às celebrações litúrgicas, em que a palavra de Deus nos é proclamada, como chave para entendermos os males que nos envolvem e para aumentarmos em nós a esperança num Deus que é Pai e ama os que mais sofrem.
No calor da família, poderá a celebração litúrgica prolongar-se na oração do terço, que também no tempo quaresmal e particularmente neste ano do Rosário, nos ajuda a contemplar os mistérios de Cristo. Com esse intuito e fiel ao primeiro objectivo do nosso Plano Diocesano, o Secretariado da Pastoral Familiar está a difundir uma pagela simples mas bem elaborada, que convém conhecer.
4. Novamente a Igreja nos lembra que a generosidade no amor do próximo é caminho insubstituível para uma verdadeira purificação pascal. O Santo Padre o afirma, em termos claros e exigentes:
"Privar-se não só do supérfluo mas também de algo mais para distribuí-lo a quem passa necessidade contribui para aquele desprendimento de si próprio sem o qual não há autêntica prática de vida cristã". (...)
6. Que o Espírito de Deus abra o nosso coração à Palavra do Senhor. Iluminados por ela e convertidos pela graça, cresceremos no amor dos irmãos e experimentaremos a verdade daquela palavra de Jesus que o Papa nos recorda: "A felicidade está mais em dar do que em .receber".
+ Albino Mamede Cleto – Bispo de Coimbra