| Bento XVI propôs aos cristãos que façam
da Quaresma um período para aprender a ver o mundo, e em particular o sofrimento dos
homens e das mulheres, com os olhos de Jesus. Por este motivo, o Papa escolheu como tema para sua primeira mensagem quaresmal como pontífice a frase do Evangelho de Mateus (9, 36) «Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas». «O "olhar" comovido de Cristo detém-se também hoje sobre os homens e os povos, posto que pelo "projecto divino todos estão chamados à salvação. Jesus, diante das insídias que se opõem a este projecto, compadece-se das multidões refere o Papa defendo-as dos lobos, ainda que à custo de sua vida. Com seu olhar, Jesus abraça as multidões e a cada um, e entrega todos ao Pai, oferecendo-se a si mesmo em sacrifício de expiação». Por este motivo, declara, «perante os terríveis desafios da pobreza de grande parte da humanidade, a indiferença e o fechar-se no próprio egoísmo aparecem como um contraste intolerável frente ao "olhar" de Cristo». |
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Em sua mensagem, o Papa também explica como o cristão pode aprender a olhar com os
olhos de Jesus. «O jejum e a esmola, juntamente com a oração, que a Igreja propõe de
modo especial no período da Quaresma declara , são uma ocasião propícia
para nos conformarmos com aquele "olhar"».
O bispo de Roma indica que viver a fé «como amizade com o Deus encarnado» significa
preocupar-se como Ele «pelas necessidades materiais e espirituais do próximo. Olha-o
como mistério incomensurável, digno de infinito cuidado e atenção».
Neste contexto, Bento XVI reconhece que «quem não dá a Deus, dá demasiado pouco». E
cita uma famosa frase da beata Teresa de Calcutá: «a primeira pobreza dos povos é não
conhecer a Cristo».
«Tendo em vista a vitória de Cristo sobre todo o mal que oprime o homem», o Santo Padre
considera que a Quaresma «nos quer guiar precisamente para esta salvação integral».
«Quando nos voltarmos para o Mestre divino, nos convertermos a Ele, experimentarmos a sua
misericórdia através do sacramento da Reconciliação, descobriremos um
"olhar" que nos perscruta profundamente e que pode reanimar as multidões e cada
um de nós».
«Esse olhar devolve a confiança a quantos não se fecharem no cepticismo, abrindo à sua
frente a perspectiva da eternidade feliz», conclui.