Quaresma e idosos
| Entrámos em nova Quaresma, tempo forte
para nos prepararmos para a Páscoa. Este é um tempo favorável, concedido pelo Senhor, para renovar a nossa caminhada de conversão e fortificar em nós a fé, a esperança e a caridade, para entrar na aliança querida por Deus e para conhecer um tempo de graça e reconciliação. Como é costume, João Paulo II escreveu uma mensagem para nos ajudar a viver este tempo. Nela, o Papa nos convida a reflectir sobre o papel que os idosos estão chamados a desempenhar na sociedade e na Igreja, e dispor assim o coração para o acolhimento amoroso que lhes deve ser sempre reservado. |
|
«Na sociedade de hoje, escreve o Papa graças também ao contributo da ciência e da medicina, assiste-se a um prolongamento da vida humana e a um consequente incremento do número dos anciãos. Isto exige que se dedique uma atenção mais específica ao mundo da chamada "terceira" idade, para ajudar os componentes a viver plenamente as suas capacidades, pondo-as ao serviço de toda a comunidade».
«A vida do homem é um dom precioso que se deve amar e defender em todas as suas fases. O mandamento "Não matarás!" pede que ela seja respeitada e defendida sempre, desde o seu início até ao seu fim natural. É um mandamento que é válido também na presença de doenças, e quando o enfraquecimento das forças limita o ser humano nas suas capacidades de autonomia. Se o envelhecimento, com os seus inevitáveis condicionamentos, for aceite com serenidade à luz da fé, pode tornar-se ocasião preciosa para compreender melhor o mistério da Cruz, que dá sentido pleno à existência humana».
«O idoso tem necessidade de ser compreendido e ajudado nesta perspectiva. Desejo expressar aqui o meu apreço a todos os que se comprometem para ir ao encontro destas exigências e exorto também outras pessoas de boa vontade a aproveitar o tempo da Quaresma para dar o seu contributo pessoal. Isto permitirá que muitos idosos não se sintam um peso para a comunidade e, por vezes, para as próprias famílias, numa situação de solidão que os expõe à tentação do fechamento e do desânimo».