Os cristãos e a política

Mais uma vez os portugueses irão ser chamados a votar. As próximas eleições serão no dia 17 de Março, na sequência da demissão do governo de António Guterres e consequente dissolução da Assembleia da República.

O Cardeal Patriarca de Lisboa, na sua homilia do dia 1 deste mês de Janeiro, chamou a atenção para a necessidade de haver um debate sobre os diferentes projectos de sociedade, de modo a que os cidadãos, ao pronunciarem-se, o não façam apenas sobre pessoas ou agrupamentos políticos. Passamos a citar:

"Neste debate cultural, nós os cristãos não podemos deixar de ter em conta a doutrina da Igreja sobre a sociedade, a qual, não se identificando com nenhum projecto político-partidário, enuncia princípios e valores decisivos para a edificação de uma sociedade harmónica, baseada na solidariedade, na justiça e na paz. Antes de mais, o respeito e o cultivo do carácter sagrado da vida humana, desde a sua concepção até à morte natural, base essencial do respeito pela dignidade da pessoa humana, quer individualmente, quer no seu relacionamento comunitário e social. A vitória sobre todas as formas de individualismo e a afirmação clara da responsabilidade de cada um no progresso da sociedade. Esta tem de ser obra de todos, na dedicação generosa ao bem comum".

Todos sabemos que a política está muito desprestigiada, de certo porque muitos, em vez de servirem a sociedade, servem-se a eles mesmos. No entanto ela é necessária e por isso os cristãos não a podem tratar como coisa desprezível.

Era bom que aparecessem mais cristãos com capacidade e vontade de servirem o país nesta arte difícil. Têm aparecido alguns mas não sei se conseguem fazer ouvir a sua voz quando o debate se centra nos princípios a que um cristão não pode fugir sem trair a sua fé. E estes são fundamentalmente os enunciados acima por D. José Policarpo.

M. V. P.


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