A fé e a política

Há uns anos pensava-se que com o secularismo ou laicismo e consequente expansão de todas as liberdades, a religião deixaria de ter influência na sociedade e na política.

Mas para espanto de muita gente, com a democracia aumentou a intervenção social das diversas religiões e os leigos hoje têm um papel muito mais influente na política do que tinham há umas dezenas de anos.

Notou-se também um aumento de fé em todo o mundo, sobretudo no Cristianismo, no Islão e no Hinduísmo, conforme dados estatísticos da Enciclopédia Cristã Mundial de 2000. 

Mesmo nos nossos países ocidentais, a religião tem hoje uma força que não tinha noutros tempos. Podemos dizer que, se diminuiu a quantidade, aumentou a qualidade.

O secularismo tem cada vez menos solidez. As religiões têm uma força enorme em quase todos os países do mundo. E não só nos islâmicos. Mesmo em países ricos como os Estados Unidos, movimentos religiosos (católicos, baptistas, evangélicos, pentecostais) criaram organizações que procuram influenciar o voto em linhas naturalmente concordantes com os seus princípios religiosos. Por exemplo, os movimentos católicos, evangélicos e pentecostais penalizam fortemente os políticos que defendem a liberalização do aborto ou casamentos de pessoas do mesmo sexo, e apoiam logicamente os candidatos que lhes são contrários.
Nas última eleições, nas listas democráticas, houve, entre senadores e representantes, umas dezenas largas desses conservadores que poderão vir a ter influência decisiva nas linhas da política de "bipartidarismo" – influência que já se notou nas escolhas para as lideranças da bancada.
Segundo os laicistas, os adeptos de qualquer religião não deveriam intervir na política para defender e propagar os seus valores, pois iriam contra o espírito laicizante da constituição americana de 1776. Isto poria em causa a separação entre o Estado e as igrejas.
Mas tal argumento iria contra o direito de todo e qualquer cidadão expressar as suas ideias e de fazer que elas tenham valimento na escolha dos seus representantes na política e nas organizações sociais. Seria então o regresso a tempos de má memória, agora de sinal contrário. E pior: assim, era a minoria a impor os seus pontos de vista à maioria dos cidadãos.

                                                                                                                                                                                                                           M. V. P.