A verdade é que ainda há pobres entre nós
Quando se diz que hoje já não há pobres, está-se a dizer uma grande mentira. São efectivamente muitas, mesmo muitas, as situações de dificuldade, de angústia ou mesmo de desespero em que algumas pessoas vivem, por falta de recursos económicos. O que falta hoje, de facto, são corações fraternos que estejam atentos às manifestações de pobreza. Está toda a gente de tal modo centrada nas suas necessidades que não percebe as necessidades dos outros ao lado.
Às vezes as necessidades são tão elementares como, só para dar um exemplo de entre muitos, a necessidade de arranjar leite para uma criança! E o que é que a gente vê? Que toda uma comunidade paroquial, toda, não consegue arranjar leite para uma criança da sua terra. Mas conseguem fazer festas rijas ao santo!
Há qualquer coisa de profundamente errado nas nossas comunidades cristãs que não conseguem arranjar dinheiro para acudir a coisas tão mínimas como isso. Ou está errada a fé dos seus cristãos, ou estão errados os seus animadores, os seus ecónomos, os seus grupos, ou estão erradas as suas estruturas e os seus valores, ou está errado isso tudo, e errada também esta apática tranquilidade com que conciliamos na vida do nosso dia a dia um paganismo extremo nas atitudes e nos comportamentos com o direito a actores sagrados para casar e para morrer!, ou mesmo missa semanal com todas as comunhões possíveis.
É preciso dizer de uma vez por todas às pessoas três coisas:
1. Que ninguém é obrigado a ser cristão;
2. Que ser cristão implica partilhar dinheiro para a caridade.
3. Que a gestão desse dinheiro exige um serviço, a nível paroquial, que o faça em nome da própria igreja.
Tudo o resto pode ficar muito bonito nos livros, nas reflexões, nas notícias dos jornais, mas é mesmo mentira, porque "pelo fruto é que se conhece a árvore". Ora, onde não há o fruto da partilha, onde o fruto é egoísmo ou indiferença, a árvore não pode ser cristã. (C.N.)