Dizem-nos os Evangelistas que, quando João Baptista estava a baptizar no rio Jordão, vinham pessoas de todos os lados e de todas as classes e confessavam publicamente os seus pecados. Sabemos que a confissão dos pecados graves faz parte das tradições ancestrais de muitos povos. Este é um daqueles fenómenos culturais, dizem-nos os missionários, que escapam à observação fácil, mas que surpreende pela sua divulgação universal. Este costume ou prática pode-se encontrar em todas as latitudes e nos mais variados géneros e estádios de cultura. Nesses povos, a matéria mais comum de confissão são os actos contra a comunidade (assassínio, magia, adultério e roubo), as transgressões sexuais, a infidelidade às tradições e a quebra de tabus. A confissão funciona como um entre os vários elementos ou exercícios destinados a lidar com a culpa, sair dela e evitar os males que ela traz. |
O Novo Testamento diz-nos que Cristo exerceu, durante a Sua vida pública, o poder de perdoar os pecados e deu esse poder aos Apóstolos.
No decorrer dos séculos, a forma concreta segundo a qual a Igreja exerceu esse poder recebido do Senhor variou muito. Durante os primeiros séculos, a reconciliação dos cristãos, que tinham cometido pecados particularmente graves depois do Baptismo (por exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério), estava ligada a uma disciplina muito rigorosa, segundo a qual os penitentes tinham de fazer penitência pública pelos seus pecados, muitas vezes durante longos anos, antes de receberem a reconciliação.
Durante o século VII, inspirados pela tradição monástica do Oriente, os missionários irlandeses trouxeram para a Europa continental a prática privada da penitência que não exigia a prática pública e prolongada de obras de penitência, antes de receber a reconciliação com a Igreja. O sacramento processa-se a partir de então, de uma forma mais secreta, entre o penitente e o sacerdote. (Ver Catecismo da Igreja Católica, n.º 1447)
Esta é hoje a prática normal do Sacramento da Confissão.